Muito válido. Pelo menos para tentar não cometer
os erros nos anos que se seguirão. É uma
pena que a maioria só pense mesmo em conquistas
financeiras. Sem querer ser hipócrita ou
pregar um discurso de desapego material. Mas
levando em conta que algumas coisas na vida
são realmente mais importantes que esses valores
apregoados pelo capitalismo selvagem, com
os quais todos, de uma maneira ou de outra,
compactuamos ou que somos condicionados a
aceitar. Percebemos facilmente neste momento
de festividade que são as pessoas, e não coisas,
que fazem falta em nossa vida.
Todas as nossas atitudes são importantes.
Elas definem o rumo de nossas vidas e as consequências
de nossos atos. Não adianta conquistar
o mundo e não ter o sentimento de respeito
verdadeiro das pessoas que estão ao nosso
redor. Ninguém consegue sobreviver a isso. E,
na maioria dos casos, ele é mais importante que
toda a riqueza material que conquistamos durante
toda a nossa vida. Mesmo porque riqueza
não traz felicidade e muito menos compra a
saúde e o companheirismo que fazem falta para
qualquer pessoa, seja nos momentos de tristeza,
seja nos de comemoração.
Mas como na humanidade há gente de todo
tipo. Pessoas extremamente egoístas e gananciosas
estragam a convivência social e conseguem
por meio de suas ações destruir o caminho
por onde elas mesmas vão ter de passar um
dia. A inveja, o ódio e as mágoas são criadas
pelos que se sentem bem pisando em outras pessoas
e se colocando acima delas.
Ao escutar a conversa de uma pessoa próxima
eu me ative ao silêncio. “Não se pode praticar
a solidariedade enquanto não construirmos
primeiro, para nós, o império que sonhamos”.
Nunca alguém que pensa assim pode
fazer mesmo algo por outras pessoas. Como diz
uma velha máxima: quanto mais se tem mais
se quer. Uma desculpa esfarrapada compactuada
por aqueles que sentem prazer em poder
sentir que os outros são inferiores a eles. Eu não
acredito nisso. Todos nós temos limitações. E,
quando vejo desastres e catástrofes naturais levando
a vida de qualquer ser que se encontra à sua frente, sinto que a nossa insignificância
dentro do universo ultrapassa os limites de qualquer
arrogância. Isso não quer dizer que pessoas
bem-sucedidas não tenham um sentimento
de solidariedade, pois esta independe da
condição social em que a pessoa se encontra.
É uma característica enraizada.
Eu, particularmente, demorei a descobrir o
que já escutava há anos: a felicidade está em
pequenas coisas e não em grandes impérios.
Um sorriso de um filho e o abraço de uma mãe
não têm preço. Mais ainda o respeito e o apreço
das pessoas que estão em nossa volta. O que é adquirido pelo poder e pelo dinheiro é tão
efêmero quanto qualquer império, por mais poderoso
que este seja.
O Natal não poderia ser um momento melhor
para escrever tais coisas. Atravessamos um
momento histórico em nosso país. Não poderia
ser diferente em uma territorialidade repleta de
tantos recursos naturais. Um país rico por natureza.
Aqui temos de tudo. Estaríamos bem melhor
se seus habitantes fossem agradecidos com
a sorte que têm de nascer em um local tão promissor
e com tantas riquezas naturais.
Para o ano de 2012 continuaremos nossa trajetória
traçada em 2011. Poderíamos mudar muito
nossos conceitos, no que se refere ao espírito conservacionista
e à ajuda ao próximo. E não digo
aqui de dar esmolas ou doar quantias em dinheiro.
Mas, sim, de colocar as mãos na massa. Fazer um
trabalho voluntário engrandece qualquer pessoa.
E principalmente aquelas que tiveram a sorte de
se destacar diante das demais. Mas como fazer
isso se continuamos atentos aos discursos dos
egoístas e das pessoas que não conseguem enxergar
mais do que o próprio umbigo.
Em uma roda de conversa aguentamos um
idiota qualquer contando vantagem sobre as suas
realizações e riquezas materiais. Talvez não se
tenha tanto estômago para difundir ideias que
possam amenizar a dor de outros seres do planeta.
Para esta maneira de pensar, o Estado e a
televisão, com seus programas alienantes, cumprem
o seu papel. O que acaba alimentando a
máquina do capitalismo selvagem.
Acreditar que o dinheiro pode comprar tudo
e a todos está mais que provado que não funciona.
As catástrofes ambientais às quais estamos
submetidos levam a vida de ricos e pobres.
Será difícil as pessoas começarem a perceber
isso? Empurrar os problemas da humanidade
para os outros é a maneira mais fácil de colocar
nossa vida em perigo.
Mas os problemas não acabam somente
quando estamos fora dele. Principalmente
quando se trata de uma crise que assola a todo
o mundo em que vivemos. Ainda não conseguimos
ocupar outros planetas. O problema que
acontece a milhares de quilômetros daqui vai surtir
efeitos próximos. Não foram necessários tsunamis
para que pudéssemos entender isso. Há
pouco tempo catástrofes inimagináveis assolaram
o país das maravilhas.
Consertar o mundo é impossível. Afirmo isso
porque os seres humanos não conseguem nem
mesmo mudar hábitos prejudiciais a si mesmos.
Quanto mais para a humanidade.
Estou me estendendo em um assunto que
para alguns pode estar fora da realidade das estradas.
Mas não é bem assim. Não tem como impedir
que uma coisa interfira na outra. Faz parte
de um complexo de atitudes para melhorar a nossa
relação com os demais seres deste planeta.
Estamos em um país que escolhe pessimamente
os seus políticos. Se formos separar o joio
do trigo, teremos um dos lados praticamente
vazio. Mas isso acontece no mundo todo. Não é
só no Brasil que ocorrem problemas assim.
Chegou a hora de a população reagir e parar de
votar em qualquer pessoa ou naquela que lhe
promete mais benefícios. E este é um dos meus
desejos para 2012. Chega de tanta gente inútil
tentando administrar um país de tantas riquezas.
O pensamento imediatista traz resultados desastrosos
em médio prazo.
Aproveito iniciar a minha cartinha para o
Papai Noel. E nela começo pedindo que ele não
deixe as promessas de 2011 caírem no esquecimento
de quem as fez. Principalmente a promessa
feita pela nossa presidente Dilma Rousseff
ao afirmar a duplicação da Rodovia da Morte, a
BR-381. Ela, que tanto viu vidas sendo ceifadas
na ditadura por motivos fúteis, não pode se esquecer
de que o mesmo vem acontecendo na rodovia que liga Belo Horizonte a João Monlevade.
Peço ao Papai Noel que deixe na caixinha de
presentes de nossa excelentíssima presidente algumas
lembranças que possam refrescar a sua
memória. Mas não somente na dela, senão estaria
sendo partidário demais diante desta crítica.
Cabe também ao nosso governador Anastasia e
ao senador Aécio Neves empenho nesta empreitada.
Políticos de destaque, mas que também
estão demorando a agir para resolver esse problema
que atinge o Estado de Minas Gerais.
Nós estaremos sentados às nossas mesas comemorando
o Natal e a passagem de Ano Novo,
enquanto milhares de pessoas estarão chorando
a falta daqueles que foram levados em acidentes
de trânsito. Alguns deles, excelentíssimos
Dilma Rousseff, Anastasia e Aécio Neves, poderiam
não estar passando por esta tristeza se de
vocês tivesse vindo um maior empenho para a
duplicação da Rodovia da Morte.
Mas os pedidos não param por aí. E não
cabem apenas a estes importantes políticos de
nosso país. Afinal as decisões não partem unicamente
deles. E ao escrever estas frases não tenho
a intenção de magoar a vaidade daqueles que
ocupam nossos cargos públicos. Quero fazer com
que eles entendam que por causa de seu descaso
milhares não poderão brindar a virada do ano da
mesma maneira que fizeram no ano passado.
E não falo isso com medo de repreensão.
Minha conduta não me permitiria tal condição.
A voz da estrada não pode se omitir da verdade.
Muito menos deixar de falar o que pensa. Eu
também sentirei a falta de amigos que se foram
na guerra do trânsito. Há mais de 16 anos eu
choro a falta de meu pai nesses momentos natalinos.
Acredito que isso aconteça com todos
que passam pela mesma situação.
Não imploro aqui piedade ou algum sentimento
de pena para com estas pessoas. Apenas
que todos reflitam que isso pode acontecer com
qualquer um. Principalmente com aqueles que
têm o seu dia a dia ligado ao trajeto de Belo
Horizonte a João Monlevade. Esse problema poderia
ser facilmente resolvido se nossas autoridades
e os políticos deste país se preocupassem
com a vida alheia.
Se é dever do Estado propiciar um trânsito
seguro, por que ele não faz isso por meio de
seus instrumentos legais para melhorar o trânsito
da rodovia BR-381 e evitar que tantas tragédias
aconteçam?
Minhas cartinhas também serão distribuídas
a dezenas de autoridades. Principalmente àquelas
que são as responsáveis pelo gerenciamento
de nossas rodovias e ruas. Pedirei a elas que
parem de criar instrumentos para multar e se
preocupem mais com a segurança e trafegabilidade
de nossas ruas e estradas. E que deem oportunidade
de discussão às instituições que defendem
aqueles que estão todos os dias nas estradas
de nosso país.
Os sindicatos representativos da categoria
dos transportadores e caminhoneiros têm muito
a ensinar aos especialistas do trânsito. Estes ensinamentos
evitariam o desperdício de dinheiro
público em uma sinalização ineficiente e principalmente
na construção de barreiras de concreto
em locais inadequados, pois estas tiram a vida
de pessoas sem dó e nem piedade. Pessoas estas
que deixarão de passar o Natal e o Ano Novo
com suas famílias porque perderam a sua vida
ao chocar contra elas.
Se a narração de tais acontecimentos comove
quem a lê, não acontece o mesmo com
quem vê tais absurdos acontecerem. Tudo porque
alguns cargos não são preenchidos por
quem conhece o assunto, mas por pessoas indicadas
pelos políticos como pagamento de incentivos
de campanha ou por interesses contrários
aos da sociedade.
E para finalizar, meu querido Papai Noel, peço
para que conscientize as cabeças acerca da vida
em sociedade. Eu tenho me comportado da maneira
que posso. Afinal, em um mundo egoísta, o
egoísta geralmente se dá bem. E esta máxima prevalece
na cabeça da maioria das pessoas e, por
pior que seja, justamente daquelas que estão à
frente de nosso país ou de nossas respectivas entidades
representativas. O maior presente que poderia
ganhar neste Natal é que grande parte deste
contingente comece o Ano Novo pensando de uma
maneira menos egoísta e um pouco mais coletiva.
Não quero aqui fazer um discurso utópico
sobre uma sociedade que nunca vai existir. Mas,
se cada um não fizer o mínimo à sobrevivência
em nosso planeta, seja no trânsito, seja em
toda a sociedade, se tornará cada dia mais impossível
conviver.
Que venha um 2012 no qual todos possam
pensar mais em seus valores. Que o pensamento
de que nossa espaçonave é eterna seja substituído
pela consciência de que se cada um não
fizer uma pequena parte para preservá-la, ela poderá
desaparecer. Eu poderia também aproveitar
esta minha cartinha ao Papai Noel e pedir
que muitas coisas em minha vida aconteçam.
Dentre elas, poder compartilhar com meu pai os
caminhos que ele tentou me ensinar e eu não
aprendi. Mas, como eu, milhares de pessoas
devem estar escrevendo para o bom velhinho implorando
o retorno das pessoas amadas que se
foram. Centenas delas em rodovias traiçoeiras e
mal gerenciadas, como a BR-381.
Milhões de crianças neste ano não terão motivo
para festejar a virada para 2012. Seja pela ausência,
seja pela perda de familiares, em acidentes
rodoviários que poderiam ter sido evitados.
Acredito que estas crianças serão as mesmas
que contribuirão para um mundo melhor.
Farão parte da parcela que é responsável pelas
decisões que envolvem a vida de todos em nossa
sociedade. Esta geração agirá diferente. Pois é
assim que deve se portar um cidadão. Modelo
de conduta que não é seguido por grande parte
de nossos atuais políticos. Eles se prendem nas
bancadas que os elegem e se esquecem de agir
pelos interesses da população.
Mas minha cartinha de Natal também será
de agradecimento. Por ter capacidade e meios
para poder expressar meu sentimento de revolta.
Tanta coisa que não é diferente simplesmente
porque algumas cabeças pensantes deste país
são egoístas, arrogantes e lamentavelmente burras.
Acreditam mesmo que o problema dos outros
não pode se transformar em um problema
seu porque se sentem inatingíveis. Se elas acreditam
mesmo nisso, que trafeguem pela Rodovia
da Morte em um dia chuvoso, e obedecendo à
sinalização. Verão que estão no mesmo patamar
dos mortais ou, quem sabe, poderão ter a infeliz
experiência de se envolver em um acidente no
qual o socorro mais rápido chega por parte de
voluntários, pois os oficiais não têm condições
operacionais de atender em tempo rápido.
Uma mente que se abre nunca mais volta
ao seu estado original. Endossando as palavras
de Albert Einstein, completo que uma mente
aberta, além de não voltar ao seu estado original, é capaz de perceber que em sua volta existe
um mundo real no qual ela está inserida. Precisa
participar, buscar mudanças e agir. Caso contrário,
poderá ser uma mente estúpida e ignorante
pelo resto de sua vida. Assim como parte
daqueles que hoje estão no poder, mas que amanhã,
com certeza, não estarão. Feliz século 21 e
feliz 2012 a todos!!!!
|
*Diretor da Revista Entre-Vias. Bacharel em Pedagogia.
Formado em Políticas e Estratégias pela Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra. Pós-Graduado
em Gestão Ambiental e Gestão do Cooperativismo.
Graduando em Direito. Membro da JARI PRF, Presidente
da ASCARG, vice-presidente do SETCOB.
diretoria@revistaentrevias.com.br
|
|