*Diretor da Revista Entre-Vias. Bacharel em Pedagogia.
Formado em Políticas e Estratégias pela Associação dos
Diplomados da Escola Superior de Guerra. Pós-Graduado
em Gestão Ambiental e Gestão do Cooperativismo.
Graduando em Direito. Membro da JARI PRF, Presidente
da ASCARG, vice-presidente do SETCOB.
diretoria@revistaentrevias.com.br

 

"Minha cartinha de Natal " (Por Geraldo Eugênio de Assis)*

Deixamos passar despercebidas inúmeras coisas no decorrer de nossa vida. Grande parte poderia contribuir para a formação de nossa personalidade. Ao chegarem no final de ano as pessoas acreditam ser possível e necessário uma reavaliação do que foi construído nos 365 dias que se passaram.

Muito válido. Pelo menos para tentar não cometer os erros nos anos que se seguirão. É uma pena que a maioria só pense mesmo em conquistas financeiras. Sem querer ser hipócrita ou pregar um discurso de desapego material. Mas levando em conta que algumas coisas na vida são realmente mais importantes que esses valores apregoados pelo capitalismo selvagem, com os quais todos, de uma maneira ou de outra, compactuamos ou que somos condicionados a aceitar. Percebemos facilmente neste momento de festividade que são as pessoas, e não coisas, que fazem falta em nossa vida.

Todas as nossas atitudes são importantes. Elas definem o rumo de nossas vidas e as consequências de nossos atos. Não adianta conquistar o mundo e não ter o sentimento de respeito verdadeiro das pessoas que estão ao nosso redor. Ninguém consegue sobreviver a isso. E, na maioria dos casos, ele é mais importante que toda a riqueza material que conquistamos durante toda a nossa vida. Mesmo porque riqueza não traz felicidade e muito menos compra a saúde e o companheirismo que fazem falta para qualquer pessoa, seja nos momentos de tristeza, seja nos de comemoração.

Mas como na humanidade há gente de todo tipo. Pessoas extremamente egoístas e gananciosas estragam a convivência social e conseguem por meio de suas ações destruir o caminho por onde elas mesmas vão ter de passar um dia. A inveja, o ódio e as mágoas são criadas pelos que se sentem bem pisando em outras pessoas e se colocando acima delas.

Ao escutar a conversa de uma pessoa próxima eu me ative ao silêncio. “Não se pode praticar a solidariedade enquanto não construirmos primeiro, para nós, o império que sonhamos”. Nunca alguém que pensa assim pode fazer mesmo algo por outras pessoas. Como diz uma velha máxima: quanto mais se tem mais se quer. Uma desculpa esfarrapada compactuada por aqueles que sentem prazer em poder sentir que os outros são inferiores a eles. Eu não acredito nisso. Todos nós temos limitações. E, quando vejo desastres e catástrofes naturais levando a vida de qualquer ser que se encontra à sua frente, sinto que a nossa insignificância dentro do universo ultrapassa os limites de qualquer arrogância. Isso não quer dizer que pessoas bem-sucedidas não tenham um sentimento de solidariedade, pois esta independe da condição social em que a pessoa se encontra.

É uma característica enraizada.

Eu, particularmente, demorei a descobrir o que já escutava há anos: a felicidade está em pequenas coisas e não em grandes impérios. Um sorriso de um filho e o abraço de uma mãe não têm preço. Mais ainda o respeito e o apreço das pessoas que estão em nossa volta. O que é adquirido pelo poder e pelo dinheiro é tão efêmero quanto qualquer império, por mais poderoso que este seja.

O Natal não poderia ser um momento melhor para escrever tais coisas. Atravessamos um momento histórico em nosso país. Não poderia ser diferente em uma territorialidade repleta de tantos recursos naturais. Um país rico por natureza. Aqui temos de tudo. Estaríamos bem melhor se seus habitantes fossem agradecidos com a sorte que têm de nascer em um local tão promissor e com tantas riquezas naturais. Para o ano de 2012 continuaremos nossa trajetória traçada em 2011. Poderíamos mudar muito nossos conceitos, no que se refere ao espírito conservacionista e à ajuda ao próximo. E não digo aqui de dar esmolas ou doar quantias em dinheiro. Mas, sim, de colocar as mãos na massa. Fazer um trabalho voluntário engrandece qualquer pessoa. E principalmente aquelas que tiveram a sorte de se destacar diante das demais. Mas como fazer isso se continuamos atentos aos discursos dos egoístas e das pessoas que não conseguem enxergar mais do que o próprio umbigo.

Em uma roda de conversa aguentamos um idiota qualquer contando vantagem sobre as suas realizações e riquezas materiais. Talvez não se tenha tanto estômago para difundir ideias que possam amenizar a dor de outros seres do planeta. Para esta maneira de pensar, o Estado e a televisão, com seus programas alienantes, cumprem o seu papel. O que acaba alimentando a máquina do capitalismo selvagem.

Acreditar que o dinheiro pode comprar tudo e a todos está mais que provado que não funciona. As catástrofes ambientais às quais estamos submetidos levam a vida de ricos e pobres. Será difícil as pessoas começarem a perceber isso? Empurrar os problemas da humanidade para os outros é a maneira mais fácil de colocar nossa vida em perigo.

Mas os problemas não acabam somente quando estamos fora dele. Principalmente quando se trata de uma crise que assola a todo o mundo em que vivemos. Ainda não conseguimos ocupar outros planetas. O problema que acontece a milhares de quilômetros daqui vai surtir efeitos próximos. Não foram necessários tsunamis para que pudéssemos entender isso. Há pouco tempo catástrofes inimagináveis assolaram o país das maravilhas.

Consertar o mundo é impossível. Afirmo isso porque os seres humanos não conseguem nem mesmo mudar hábitos prejudiciais a si mesmos. Quanto mais para a humanidade.

Estou me estendendo em um assunto que para alguns pode estar fora da realidade das estradas. Mas não é bem assim. Não tem como impedir que uma coisa interfira na outra. Faz parte de um complexo de atitudes para melhorar a nossa relação com os demais seres deste planeta. Estamos em um país que escolhe pessimamente os seus políticos. Se formos separar o joio do trigo, teremos um dos lados praticamente vazio. Mas isso acontece no mundo todo. Não é só no Brasil que ocorrem problemas assim.

Chegou a hora de a população reagir e parar de votar em qualquer pessoa ou naquela que lhe promete mais benefícios. E este é um dos meus desejos para 2012. Chega de tanta gente inútil tentando administrar um país de tantas riquezas. O pensamento imediatista traz resultados desastrosos em médio prazo.

Aproveito iniciar a minha cartinha para o Papai Noel. E nela começo pedindo que ele não deixe as promessas de 2011 caírem no esquecimento de quem as fez. Principalmente a promessa feita pela nossa presidente Dilma Rousseff ao afirmar a duplicação da Rodovia da Morte, a BR-381. Ela, que tanto viu vidas sendo ceifadas na ditadura por motivos fúteis, não pode se esquecer de que o mesmo vem acontecendo na rodovia que liga Belo Horizonte a João Monlevade.

Peço ao Papai Noel que deixe na caixinha de presentes de nossa excelentíssima presidente algumas lembranças que possam refrescar a sua memória. Mas não somente na dela, senão estaria sendo partidário demais diante desta crítica.
Cabe também ao nosso governador Anastasia e ao senador Aécio Neves empenho nesta empreitada. Políticos de destaque, mas que também estão demorando a agir para resolver esse problema que atinge o Estado de Minas Gerais.

Nós estaremos sentados às nossas mesas comemorando o Natal e a passagem de Ano Novo, enquanto milhares de pessoas estarão chorando a falta daqueles que foram levados em acidentes de trânsito. Alguns deles, excelentíssimos Dilma Rousseff, Anastasia e Aécio Neves, poderiam não estar passando por esta tristeza se de vocês tivesse vindo um maior empenho para a duplicação da Rodovia da Morte.

Mas os pedidos não param por aí. E não cabem apenas a estes importantes políticos de nosso país. Afinal as decisões não partem unicamente deles. E ao escrever estas frases não tenho a intenção de magoar a vaidade daqueles que ocupam nossos cargos públicos. Quero fazer com que eles entendam que por causa de seu descaso milhares não poderão brindar a virada do ano da mesma maneira que fizeram no ano passado. E não falo isso com medo de repreensão.

Minha conduta não me permitiria tal condição. A voz da estrada não pode se omitir da verdade. Muito menos deixar de falar o que pensa. Eu também sentirei a falta de amigos que se foram na guerra do trânsito. Há mais de 16 anos eu choro a falta de meu pai nesses momentos natalinos.

Acredito que isso aconteça com todos que passam pela mesma situação. Não imploro aqui piedade ou algum sentimento de pena para com estas pessoas. Apenas que todos reflitam que isso pode acontecer com qualquer um. Principalmente com aqueles que têm o seu dia a dia ligado ao trajeto de Belo Horizonte a João Monlevade. Esse problema poderia ser facilmente resolvido se nossas autoridades e os políticos deste país se preocupassem com a vida alheia.

Se é dever do Estado propiciar um trânsito seguro, por que ele não faz isso por meio de seus instrumentos legais para melhorar o trânsito da rodovia BR-381 e evitar que tantas tragédias aconteçam?

Minhas cartinhas também serão distribuídas a dezenas de autoridades. Principalmente àquelas que são as responsáveis pelo gerenciamento de nossas rodovias e ruas. Pedirei a elas que parem de criar instrumentos para multar e se preocupem mais com a segurança e trafegabilidade de nossas ruas e estradas. E que deem oportunidade de discussão às instituições que defendem aqueles que estão todos os dias nas estradas de nosso país.

Os sindicatos representativos da categoria dos transportadores e caminhoneiros têm muito a ensinar aos especialistas do trânsito. Estes ensinamentos evitariam o desperdício de dinheiro público em uma sinalização ineficiente e principalmente na construção de barreiras de concreto em locais inadequados, pois estas tiram a vida de pessoas sem dó e nem piedade. Pessoas estas que deixarão de passar o Natal e o Ano Novo com suas famílias porque perderam a sua vida ao chocar contra elas.

Se a narração de tais acontecimentos comove quem a lê, não acontece o mesmo com quem vê tais absurdos acontecerem. Tudo porque alguns cargos não são preenchidos por quem conhece o assunto, mas por pessoas indicadas pelos políticos como pagamento de incentivos de campanha ou por interesses contrários aos da sociedade.

E para finalizar, meu querido Papai Noel, peço para que conscientize as cabeças acerca da vida em sociedade. Eu tenho me comportado da maneira que posso. Afinal, em um mundo egoísta, o egoísta geralmente se dá bem. E esta máxima prevalece na cabeça da maioria das pessoas e, por pior que seja, justamente daquelas que estão à frente de nosso país ou de nossas respectivas entidades representativas. O maior presente que poderia ganhar neste Natal é que grande parte deste contingente comece o Ano Novo pensando de uma maneira menos egoísta e um pouco mais coletiva.
Não quero aqui fazer um discurso utópico sobre uma sociedade que nunca vai existir. Mas, se cada um não fizer o mínimo à sobrevivência em nosso planeta, seja no trânsito, seja em toda a sociedade, se tornará cada dia mais impossível conviver.

Que venha um 2012 no qual todos possam pensar mais em seus valores. Que o pensamento de que nossa espaçonave é eterna seja substituído pela consciência de que se cada um não fizer uma pequena parte para preservá-la, ela poderá desaparecer. Eu poderia também aproveitar esta minha cartinha ao Papai Noel e pedir que muitas coisas em minha vida aconteçam. Dentre elas, poder compartilhar com meu pai os caminhos que ele tentou me ensinar e eu não aprendi. Mas, como eu, milhares de pessoas devem estar escrevendo para o bom velhinho implorando o retorno das pessoas amadas que se foram. Centenas delas em rodovias traiçoeiras e mal gerenciadas, como a BR-381. Milhões de crianças neste ano não terão motivo para festejar a virada para 2012. Seja pela ausência, seja pela perda de familiares, em acidentes rodoviários que poderiam ter sido evitados. Acredito que estas crianças serão as mesmas que contribuirão para um mundo melhor. Farão parte da parcela que é responsável pelas decisões que envolvem a vida de todos em nossa sociedade. Esta geração agirá diferente. Pois é assim que deve se portar um cidadão. Modelo de conduta que não é seguido por grande parte de nossos atuais políticos. Eles se prendem nas bancadas que os elegem e se esquecem de agir pelos interesses da população.

Mas minha cartinha de Natal também será de agradecimento. Por ter capacidade e meios para poder expressar meu sentimento de revolta. Tanta coisa que não é diferente simplesmente porque algumas cabeças pensantes deste país são egoístas, arrogantes e lamentavelmente burras.
Acreditam mesmo que o problema dos outros não pode se transformar em um problema seu porque se sentem inatingíveis. Se elas acreditam mesmo nisso, que trafeguem pela Rodovia da Morte em um dia chuvoso, e obedecendo à sinalização. Verão que estão no mesmo patamar dos mortais ou, quem sabe, poderão ter a infeliz experiência de se envolver em um acidente no qual o socorro mais rápido chega por parte de voluntários, pois os oficiais não têm condições operacionais de atender em tempo rápido.

Uma mente que se abre nunca mais volta ao seu estado original. Endossando as palavras de Albert Einstein, completo que uma mente aberta, além de não voltar ao seu estado original, é capaz de perceber que em sua volta existe um mundo real no qual ela está inserida. Precisa participar, buscar mudanças e agir. Caso contrário, poderá ser uma mente estúpida e ignorante pelo resto de sua vida. Assim como parte daqueles que hoje estão no poder, mas que amanhã, com certeza, não estarão. Feliz século 21 e feliz 2012 a todos!!!!

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 
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