Que venha 2012 (continuação)
O ano de 2011 chega ao fim deixando um saldo positivo
para a infraestrutura do trânsito brasileiro. Isso porque
algumas obras relevantes, tanto para os centros urbanos
quanto para a malha rodoviária, foram concluídas e entregues à
população. E, a partir de agora, com o aproximar de grandes eventos
esportivos a serem realizados no Brasil, como a Copa das
Confederações (2013) e a Copa do Mundo (2014), a expectativa é de que novas melhorias sejam executadas para dar conta de
atender a demanda que desembarcará em território tupiniquim.
A revista Entre-Vias pretende, nesta matéria, elencar várias dessas
intervenções que mudaram, para melhor, o cenário das capitais
brasileiras. A começar pela imponente ponte Rio Negro, inaugurada
no último dia 24 de outubro, que interliga as cidades de
Manaus (AM) e Iranduba (AM), com extensão de 3.595 m.
As obras tiveram início efetivo em maio de 2008, considerando
as fases de mobilização e implantação do canteiro. De
acordo com o secretário-geral da Secretaria Executiva do Conselho
de Desenvolvimento Sustentável da Região Metropolitana de
Manaus, René Levy, a ponte custou R$ 811 milhões, dos quais
70% foram financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) e o restante, pelo tesouro estadual. “Além da obra de arte em si [a ponte], incluem-se no projeto os
acessos viários das margens esquerda e direita, o sistema de iluminação,
a proteção dos pilares e as sinalizações náutica e viária,
totalizando, então, R$ 1,1 bilhão para o conjunto de 11,2 km
de extensão”, ressalta o secretário. De segunda a quinta-feira, o
fluxo médio diário de veículos fica em torno de 2,5 mil, e nos fins
de semana esse número triplica, afirma Levy.
Para dar mais fluidez ao trânsito da zona Leste de São Paulo,
a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras da maior
cidade brasileira construiu o que se tornou um novo cartão-postal:
o viaduto estaiado Dom Luciano Mendes de Almeida. Recorrer
aos “estais” foi necessário em decorrência da extensão do vão
– ele tem 122 m de comprimento e canteiros centrais estreitos
na avenida Salim Farah Maluf. Esse recurso da engenharia, conforme
explica a Secretaria, permite a construção de lajes mais
leves e esbeltas, com espessura de meio metro, possibilitando um
gabarito (distância entre o solo e a superfície inferior da laje)
mais alto, ideal para a passagem de caminhões grandes. Em cada
lado do arco da ponte, foram instalados vinte "estais", cada um deles formado por 48 cordoalhas de cabos de
aço. A durabilidade aproximada dos "estais" é
de cem anos. Em caso de acidentes, eles poderão
ser trocados, pois a estrutura do viaduto
permite sua manutenção sem a necessidade de
interdição da via para reparos.
O viaduto estaiado integra o complexo viário
Padre Adelino, executado na região do
Tatuapé e constituído ainda por outros dois viadutos:
o Catingá/Belém – feito para interligar o
bairro da Penha aos bairros Brás e Belém, com
extensão de 260 m – e o Pires do Rio. Este último
passou por ampliação, recebendo o acréscimo
de duas faixas de rolamento, enquanto as
estruturas foram restauradas e readequadas,
para suportar um tráfego mais intenso e pesado.
As obras custaram mais de R$ 110 milhões.
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Importante para o cenário urbano de
Fortaleza, a avenida Sargento Hermínio, entre as
vias José Bastos e Padre Anchieta, passou por
ampliação depois de três anos de obras. Ela deixou
de ter 12 m de largura e, agora, com 27,4
m, tem duas faixas por sentido. Além de aumentar
a capacidade viária, a avenida foi restaurada com
obras de drenagem, pavimentação, padronização
das calçadas, reforma dos canteiros centrais
e implantação de nova sinalização. De acordo
com a Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços
Públicos e de Cidadania de Fortaleza, o investimento é da ordem de R$ 2,5 milhões.
A construção de dois viadutos também foi
a intervenção de destaque mencionada pela
Agência Municipal de Obras de Goiânia (Amob).
Um deles, situado na BR-153, no conjunto
Caiçara, na região Leste da capital, foi construído
pelo Departamento Nacional de Infraestrutura
de Transportes (Dnit) com recursos da ordem de
R$ 10,8 milhões. Conforme a Amob, a obra contribuiu
para desafogar o trânsito por onde passam
mais de 10 mil carros por dia, além de aumentar a segurança na região.
O outro viaduto
fica na avenida Perimetral Norte, no bairro
Goiânia II. O município desembolsou cerca de
R$ 1,5 milhão para dar andamento a essa obra,
que estava parada há dez anos. Além disso, foram
entregues à população a extensão e duplicação
da avenida Afonso Pena, que liga a avenida
Pedro Paulo, no mesmo bairro, até o Campus II
da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Com o intuito de melhorar a organização
do trânsito na entrada e saída de Boa Vista (RR),
a prefeitura executou o chamado Contorno
Oeste, considerado a maior obra de mobilidade
urbana já realizada no município. O conjunto
de intervenções contemplou a construção de
dois viadutos, uma ponte, a duplicação da BR-
174 e a pavimentação desse contorno. Um viaduto
fica na interseção da BR-174 com a avenida
Estrela Dalva, no bairro Raiar do Sol, e tem
extensão de 15 m. O outro, com 33 m de comprimento,
foi construído no ligamento do contorno
com a rodovia.
A BR-174, na saída Sul da capital Boa Vista,
recebeu ainda sinalização e pavimentação em
mais de 15 km. Com o fim do empreendimento,
a rodovia ficou interligada nos sentidos
Manaus/Boa Vista e Boa Vista/Alto Alegre. A
obra foi orçada em R$ 61 milhões, sendo R$ 58
milhões provenientes de convênio com o
Ministério dos Transportes, e os outros R$ 3 milhões,
de contrapartida da prefeitura municipal.
MALHA RODOVIÁRIA
O setor dos transportes no país viveu momentos
de turbulência e escândalos neste ano,que culminaram com as quedas do então ministro
Alfredo Nascimento e do ex-diretor-geral
do Dnit Luis Antônio Pagot. Devido às suspeitas
de superfaturamento em obras, muitas licitações
ficaram suspensas de julho até novembro,
mas algumas obras relevantes puderam ser
concluídas, como foi o caso de três grandes intervenções
em Minas Gerais.
Em Betim, a BR-262 se desliga da diretriz
da BR-381, com a qual é coincidente, e toma
o rumo da região Centro-Oeste. O trecho de
maior movimento são os 85 km que separam
a cidade betinense de Nova Serrana. Essa região
concentra importantes polos industriais e
comerciais do Estado, e foi nesse segmento
que a rodovia passou por duplicação.
Conforme informações do departamento em
Minas, foram R$ 400 milhões de investimento,
provenientes do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC), com a construção de 30
novas obras, entre pontes, viadutos, passagens
inferiores e passarelas. Iniciados em março de
2009, os trabalhos de duplicação foram concluídos
em tempo recorde, na avaliação do
Dnit. O prazo contratual para o término era de
três anos, mas os serviços foram finalizados
em apenas dois.
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Um dos mais importantes corredores de
cargas do Brasil, a BR-135 passou por revitalização.
Foi a primeira vez que a rodovia, implantada
há 40 anos, sofreu esse tipo de intervenção.
A BR teve o pavimento restaurado
em 300 km. Também foram implantadas terceiras
faixas para veículos pesados, alargamento
de todas as 30 pontes e viadutos existentes,
melhorias em cinco importantes trevos
e a construção de cinco travessias urbanas com
ruas laterais. O empreendimento teve custo de
R$ 560 milhões.
Por fim, a BR-040, que liga Brasília ao Rio
de Janeiro, num total de 1.180 km, foi contemplada
com a duplicação de um dos seus trechos
em Minas. O empreendimento, que cobre
os 45 km da rodovia entre Sete Lagoas e o trevão
de Curvelo, com investimentos da ordem
de R$ 250 milhões, facilita o escoamento agrícola
e aumenta a segurança na área urbana
abrangente, conforme o Dnit no Estado.
As obras se concentraram no segmento
entre o trevo de Curvelo e a cidade de
Paraopeba. Nesse trecho, a rodovia foi restaurada
e duplicada em 14 km de extensão. No
chamado Contorno de Paraopeba, de 8,2 km,
o tráfego pesado foi retirado do perímetro urbano.
O Dnit entregou à cidade o eixo viário urbano
com 5 km de pista dupla totalmente restaurada,
remanescente da rodovia que cortava
o município. As intervenções contaram também
com a construção de seis pontes, dois viadutos
(acesso para Caetanópolis e Paraopeba) e quatro
passagens inferiores.
Em Águas Lindas, cidade do entorno do
Distrito Federal conhecida pelo ecoturismo e o
comércio, o Dnit duplicou a BR-070. A extensão
da obra é de quase 17 km e o trecho também
ganhou cinco passarelas no perímetro urbano
do município, além de um viaduto e uma
ponte sobre o rio Descoberto. O investimento
para a execução do projeto foi de R$ 136,9 milhões.
As obras começaram em abril de 2010 e
são concluídas neste mês de dezembro.
Este ano também teve importância fundamental
para a malha rodoviária do Tocantins. O
governo lançou o Programa Emergencial de
Recuperação das Rodovias Estaduais, com o objetivo
de recuperar 39 trechos e fazer a roçagem
de outros 89, início de pavimentação asfáltica de
cinco pistas, a retomada de asfaltamento que estava
paralisado em outros 14 trechos e a conclusão
das pontes de Lajeado e Barra do Ouro.
AVALIAÇÃO DO SETOR
Para Márcio Antônio Arantes, presidente
da Associação de Benefícios e Proteção ao
Amigo Caminhoneiro (Abpac), a obra mais relevante
deste ano foi a ponte sobre o rio das
Velhas, na BR-381, na altura de Sabará, na
Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em
pleno feriado prolongado do mês de abril, a
estrutura do local cedeu e teve de ser interditada.
Acionado, o Exército colaborou na construção
de uma estrutura provisória para tentar
atenuar os impactos negativos do fechamento
da ponte. Cerca de cinco meses depois,
a obra definitiva ficou pronta, até por ser considerada
de caráter emergencial. “Ela não saiu
em tempo recorde, mas foi feita em um tempo
bom, e é a que mais mexe com nossos bolsos
e horários”, disse.
Arantes espera que, para 2012, a duplicação
da BR-381, sentido BH/João Monlevade,
possa enfim ser executada. Esse também é o
desejo de Romildo José, presidente da
Associação de Transportadores de Cargas do
Leste de Minas (Astransleste). “Esta é uma reforma que estamos precisando de maneira urgente”,
destaca Romildo José.
O presidente da Associação dos Carreteiros
Autônomos de Transporte (Acat), Marcos
Alberto Lachi, espera que neste ano novo ocorra
a duplicação da rodovia Régis Bittencourt, BR-
116, que liga as cidades de São Paulo (SP) e
Curitiba (PR). “Estamos aguardando que isso
seja feito há anos. E parece que, enfim, depois
de muitos acidentes, viram que a obra realmente é necessária.”
Mesmo diante de alguns anseios que já
duram algum tempo, José Geraldo de Farias, presidente
da Cooperativa dos Cegonheiros do
Estado de Minas Gerais (Coopercemg), avalia
que as condições das rodovias melhoraram bastante,
principalmente nos trechos que têm pedágio. “A Fernão Dias [381], por exemplo, é duplicada
sentido São Paulo e apresenta uma situação
muito favorável para quem está ao volante.
Temos alguns trechos ruins ainda no país,
mas avançamos”, ressalta.
SEGURANÇA PARA PEDESTRE
Uma boa-nova para os pedestres neste
ano veio de Belém (PA). Inaugurado no dia
30 de setembro, o Pórtico Metrópole é considerado
um projeto inédito no país por ser
a única passarela concebida com escadas rolantes
e elevadores, atendendo à Lei Federal
de Acessibilidade.
O empreendimento está localizado na BR-
316. De acordo com o prefeito de Belém,
Duciomar Costa, o projeto atende três aspectos
muito importantes: “a segurança na travessia
dos pedestres, a fluidez no trânsito de veículos
e a delimitação dos municípios de Belém e
Ananindeua”. Com a instalação dessa travessia,
tornou-se possível retirar um semáforo localizado
no início da rodovia, garantindo, assim,
a melhor circulação de veículos. Cerca de 2 mil
pessoas transitam, por hora, no trecho onde a
passarela foi instalada.
A construção do Pórtico Metrópole teve
início em setembro de 2008. O investimento
foi de R$ 9,4 milhões, sendo R$ 7,2 milhões
custeados por recursos federais (por meio do
Dnit) e R$ 2,2 milhões provenientes da
Prefeitura de Belém. Além de elevadores e escadas
rolantes, o empreendimento possui uma
rampa para ciclistas.