Ações urgentes
Campanha mobiliza brasileiros no mês de maio, mas especialistas reforçam que a redução de mortes e feridos no trânsito depende de ações permanentes
Uma ampla mobilização nacional em defesa da segurança viária reforçou a importância de campanhas educativas em prol de um trânsito mais seguro o ano todo. Órgãos federais, estaduais e municipais, entidades do setor de transportes, concessionárias, empresas e instituições da sociedade civil promoveram uma série de ações dentro do movimento Maio Amarelo, considerado a principal campanha de conscientização sobre segurança no trânsito no país.
Criado em 2014 pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, o Maio Amarelo nasceu com o objetivo de chamar a atenção da sociedade para o elevado número de mortes e feridos no trânsito. Ao longo de mais de uma década, a iniciativa mobilizou governos, empresas, entidades de classe, escolas, universidades e organizações da sociedade civil em torno de uma pauta comum: tornar a segurança viária uma responsabilidade compartilhada.
Em 2026, o tema escolhido foi “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, uma mensagem que buscou reforçar a empatia, a atenção e o respeito aos usuários mais vulneráveis das vias, especialmente motociclistas, ciclistas e pedestres. O lançamento nacional da campanha contou com o apoio da Secretaria Nacional de Trânsito, vinculada ao Ministério dos Transportes, que destacou a necessidade de uma atuação coletiva para reduzir mortes e sinistros em todo o país.
A própria Senatran tem defendido que a segurança viária não pode ser tratada como uma pauta sazonal. A educação para o trânsito, o respeito às normas de circulação, a atenção aos limites de velocidade e o combate a comportamentos de risco precisam fazer parte da rotina dos brasileiros durante os 365 dias do ano. O mesmo entendimento é compartilhado pela Polícia Rodoviária Federal, que associa a redução de acidentes à combinação entre fiscalização, orientação e mudança cultural.
Foram realizadas campanhas educativas, palestras, seminários, blitze orientativas, atividades em escolas, ações com empresas de transporte e eventos de conscientização em rodovias e áreas urbanas de todas as regiões do país.
Uma das principais frentes foi conduzida pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). A corporação ampliou ações de fiscalização e educação para o trânsito nas rodovias federais, promovendo abordagens voltadas à prevenção de comportamentos de risco, como excesso de velocidade, ultrapassagens indevidas, uso do celular ao volante, embriaguez e desrespeito às normas de segurança.
Além das operações de fiscalização, a PRF realizou atividades educativas direcionadas a motoristas profissionais, passageiros, estudantes e comunidades próximas a rodovias. Também foram promovidos os tradicionais “Pit Stops Educativos”, nos quais condutores receberam orientações sobre direção segura, manutenção dos veículos e prevenção de acidentes.
Durante o lançamento da campanha, a instituição destacou que, apesar da redução dos indicadores em relação a anos anteriores, o número de acidentes e mortes nas rodovias federais permanece elevado, reforçando a necessidade de ações permanentes de conscientização.
Desafio continua
Apesar dos esforços de conscientização realizados durante o Maio Amarelo, os números mais recentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostram que o desafio da segurança viária continua exigindo atenção permanente. Em 2025, foram registrados 72.483 sinistros de trânsito nas rodovias federais brasileiras, que resultaram em 6.044 mortes e 83.483 pessoas feridas. Embora os indicadores representem uma redução em relação a 2024, quando ocorreram 73.201 sinistros, 6.163 mortes e 84.587 feridos, os números ainda revelam um cenário preocupante.
Segundo a PRF, a combinação entre imprudência, excesso de velocidade, ultrapassagens indevidas, distração ao volante e desrespeito às normas de trânsito segue entre os principais fatores associados aos acidentes graves. Por isso, a corporação tem reforçado que campanhas educativas precisam ser acompanhadas de ações contínuas de fiscalização e mudança de comportamento dos condutores.
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