Sem perdão

28 de Julho de 2026 / 0 Comentários

Recente estudo revela baixa capacidade da infraestrutura do país de mitigar erros de motoristas

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As rodovias brasileiras não perdoam os erros dos motoristas. Essa é a conclusão da terceira edição doÊ“Painel CNT de Rodovias que Perdoam”, ferramenta interativa que analisa a capacidade da infraestrutura rodoviária brasileira de mitigar as consequências dos acidentes, caso ocorram. Atualizada com dados de 2025, a nova edição lançada em junho permite acompanhar a evolução do Índice de Perdão nas rodovias avaliadas pela CNT na Pesquisa CNT de Rodovias e comparar o desempenho da malha em relação ao levantamento anterior.

Considerando toda a malha pesquisada pela CNT, que é de 114 mil km, 37,5% (42.770 km) dos trechos foram classificados com Baixo Índice de Perdão, 42,7% com Médio Índice de Perdão e 19,9% (22.694 km) com Alto Índice de Perdão. Em relação a 2024, o cenário nacional permaneceu relativamente estável, com pequena redução da participação dos trechos de Alto Perdão e crescimento da faixa intermediária.

A metodologia da CNT baseia-se no conceito internacional das “rodovias que perdoam”, que se refere a vias projetadas ou adaptadas para reduzir a gravidade dos acidentes quando eles ocorrem. O Índice de Perdão avalia o quanto as características físicas das rodovias podem influenciar na gravidade dos acidentes, considerando elementos como dispositivos de contenção (defensas e barreiras), acostamentos, áreas livres de obstáculos, atenuadores de impacto e outros equipamentos de segurança passiva.

Nas rodovias sob gestão pública, 50% da extensão analisada, o equivalente a 42.052 km, foi classificada com Baixo Índice de Perdão, indicador que mede a capacidade da infraestrutura de minimizar os danos aos usuários quando ocorrem acidentes. Apenas 4,8% (4.024 km) desses trechos alcançaram classificação de Alto Índice de Perdão. Além disso, a segunda edição do estudo evidencia deterioração no desempenho das vias sob gestão direta do poder público. O percentual de rodovias públicas classificadas com alto perdão caiu de 6,2%, em 2024, para 4,8%, em 2025, o equivalente a uma perda de 1,4 ponto percentual.

Já entre as rodovias concedidas, o cenário se inverte: 62,0% analisada (18.670 km) apresentam Alto Índice de Perdão e apenas 2,4% (718 km) foram enquadradas na faixa de Baixo Perdão e mantiveram o patamar de desempenho superior já observado nas edições anteriores do Painel, associado ao volume contínuo de investimentos em infraestrutura e segurança viária.

 

Brasil desigual

A análise territorial também reforça as desigualdades regionais da infraestrutura rodoviária brasileira. Os trechos com Alto Índice de Perdão concentram-se principalmente nas regiões Sudeste e Sul, onde predominam as concessões. Já as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste seguem marcados por corredores com Médio e Baixo Perdão, inclusive em rotas estratégicas para o transporte de cargas e passageiros.

“A terceira edição do Painel confirma que a qualidade da infraestrutura viária impacta diretamente a gravidade dos acidentes. Embora o cenário nacional indique estabilidade, os resultados mostram que os avanços ainda são desiguais, reforçando a necessidade de ampliar investimentos em segurança viária, especialmente nas rodovias sob gestão pública”, destaca a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende.

 

Minas Gerais

O estudo revela que 77,6% da malha rodoviária mineira tem média ou baixa capacidade de mitigar asÊconsequências de acidentes. Na prática, isso significa que, em caso de falha humana ou mecânica, a própria infraestrutura da pista tem grandes chances de agravar o sinistro, resultando em mais mortos ou feridos.

Com a maior malha viária do Brasil, o estado teve 15.557 km de estradas monitorados pelo estudo. Desse total, só 22,3% (3.477 km) foram classificados com “alto índice de perdão”. Por outro lado, 46,7% (7.269 km) registram “médio risco”, e 30,9% (4.811 km) são considerados de “baixo perdão” Ð o pior número absoluto em extensão do Brasil.

 

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