Fé na estrada

17 de Dezembro de 2020 / 0 Comentários

Caminhando para vencer de vez um câncer de mama, a caminhoneira Simone de Paula vem transformando a própria jornada em poemas para ajudar outras pessoas a se cuidarem

A- A A+

“A vida é uma verdadeira roda-gigante: ora a gente está lá em cima, ora está lá embaixo”. É assim que a caminhoneira Simone Maria de Paula, de 47 anos, define a sua própria trajetória. Acostumada a estar no comando de veículos pesados há mais de duas décadas, ela acabou sendo levada por um caminho difícil: o do câncer de mama.

O diagnóstico veio como um atropelo, mas ela soube encará-lo sem perder o controle da direção. Tudo começou com a percepção de um nódulo em um dos seios durante um autoexame em meados do ano passado. Depois de realizar uma mamografia de rotina, uma ultrassonografia e uma biópsia, a doença foi confirmada. De lá para cá, Simone enfrentou 16 sessões de quimioterapia, um mês de radioterapia e quatro cirurgias. Hoje, ela faz o tratamento de controle e toma uma medicação que vai acompanhá-la por cinco anos.

“Desde que eu descobri o câncer, não me deixei abalar nem me deprimi. Na primeira sessão de quimioterapia, cortei o cabelo curtinho. Na segunda, já tirei tudo. Eu sempre soube que teria que lutar e que cada luta seria vencida”, relembra.

Inspiração

Afastada do trabalho e sentindo a necessidade de dar vazão a tudo o que estava sentindo, Simone, que sempre gostou de escrever, passou a traduzir cada trecho dessa nova estrada em palavras rimadas. E foi muito além do desabafo: ela começou a falar diretamente com as pessoas a fim de alertá-las para a importância de não se descuidarem da saúde. As colegas de profissão têm sido um dos focos principais dos poemas dela.

“As caminhoneiras precisam ficar atentas, se observar, encostar o caminhão e fazer a prevenção. Sei que, no tempo em que a gente fica longe de casa, isso é desafiador, mas essa parada é o mínimo que podemos fazer”, aconselha Simone.

Em outubro último, ela dedicou um poema à campanha Outubro Rosa, voltada para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, e fez questão de compartilhar com as leitoras – e os leitores, é claro! – da Entrevias.

Novas  rotas

Outro hobby transformado em atividade cotidiana foi a fotografia. “Para não ficar com a doença na cabeça, optei por estudar. Eu estava acostumada a trabalhar; aí, de repente, me vi em casa doente. Comecei a fazer fotos no meu tempo, quando estou bem. Gosto de fotografar a natureza, e isso me inspira a escrever também”, conta.

Vez ou outra, a sala de casa se transforma em um pequeno estúdio fotográfico, e as duas filhas assumem o papel de assistentes. Simone ressalta que o apoio que recebe das meninas, dos pais, da irmã, dos amigos e colegas de trabalho e do noivo é fundamental para a recuperação e a superação desse desafio.

“Deus me deu muita coragem e força para enfrentar tudo isso com um sorriso no rosto. Estou vencendo cada etapa com sucesso. O pior já passou”, afirma.

 

 

 

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião de Revista Entrevias. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. Revista Entrevias poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.