Pesado para quem?

19 de Outubro de 2020 / 0 Comentários
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Foi-se o tempo em que lugar de mulher era cuidando da casa. O mercado de trabalho elas já conquistaram e, agora, também chegam a espaços que eram considerados masculinos. É o caso da jovem Aldrey Porcini Lopes, de 24 anos. Com uma vontade enorme de vencer, ela se tornou mecânica de caminhões e há cinco anos está à frente de uma oficina com o pai, Valdicley.

A família é de Angatuba, no interior de São Paulo. O negócio funciona na rodovia Raposo Tavares, altura do KM 205. O serviço é pesado, mas não é impossível para uma mulher, segundo Aldrey. Mãe de uma menina de 9 anos, ela se desdobra entre a maternidade, o trabalho e o curso de solda.

No ofício, ela faz de tudo, inclusive atender emergências. Quando um caminhão quebra na estrada, a qualquer hora do dia, lá vão ela e o pai socorrer o cliente.

“Meu avô era caminhoneiro e mecânico, meu tio é mecânico de caminhão, e meu pai, que não teve ‘filho homem’, me levou para a oficina para me ensinar. Acabei pegando o jeito e o gosto. Hoje, sou apaixonada e estou tentando me aperfeiçoar cada vez mais na profissão”, conta Aldrey.

ROTINA DESAFIADORA

Não é raro os homens estranharem a chegada de uma mulher suja de graxa e com ferramentas nas mãos. Frequentemente, ela sofre preconceito e até assédio. “Muitas pessoas te apontam sem te conhecerem, saem falando sem saberem exatamente o que você está fazendo ali, te olham de outro jeito. Machismo é duro de lidar. Não é todo dia que a gente é forte e está com a cabeça erguida, mas diariamente tem um dragão para enfrentar”, lamenta.

Aldrey conta que, mesmo com tanta evolução no espaço conquistado pela mulher, ainda há um caminho longo pela frente. “Tem muito homem que fala que lugar de mulher é atrás do fogão. Ouço isso constantemente. O jeito é não nos rebaixarmos por conta de comentários tontos e de pessoas que não nos ajudam a crescer nessa área nem em qualquer outra”, ressalta.

O apoio da família a ajuda a superar os obstáculos. A mãe queria que ela fosse professora de educação física, mas, na indecisão, o pai a convenceu a se juntar a ele na oficina.

Valdicley confessa que, ao colocar a filha para trabalhar com ele, não pensava nesse tipo de contratempo. “Queria mostrar para ela o quanto cada centavo tem que ser valorizado. Nunca imaginei que seria tão desafiador, mas sempre a incentivei a não desistir e estou ao lado dela a todo o momento”, diz o pai, orgulhoso.

INFLUENCER

Aldrey também é incentivada pelos pais a compartilhar sua jornada nas redes sociais e, assim, motivar outras mulheres. Com quase 40 mil seguidores, a jovem não apenas mostra o que faz, mas mobiliza e deixa sua mensagem.

No Instagram, as fotos exibem uma profissional empoderada no ambiente de trabalho, rodeada de graxa, caminhões e peças. E sempre com uma mensagem de motivação. Com sabedoria, ela aconselha as mulheres: “Não desistam. Hoje vai ser difícil e amanhã também. Todos os dias serão. Mas, a cada dia que você bate o pé no chão, bate no peito e diz que seu lugar é ali, sim, você está conquistando mais. A mulherada está ganhando o mundo. Corra atrás do seu sonho, porque ninguém vai bater na sua porta. É preciso buscá-lo e guardar o que deu errado como aprendizado”, conclui a jovem mecânica de caminhões

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