Alzheimer: 
inflamação no cérebro pode ser a chave

Resposta de células a processo inflamatório favorece instalação da doença, sugere estudo

Saúde / 19 de Março de 2026 / 0 Comentários

O cérebro precisa estar inflamado para que o Alzheimer se instale e avance. É o que sugere um estudo liderado pelo laboratório do neurocientista Eduardo Zimmer, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), conforme consta em um artigo

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O cérebro precisa estar inflamado para que o Alzheimer se instale e avance. É o que sugere um estudo liderado pelo laboratório do neurocientista Eduardo Zimmer, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), conforme consta em um artigo publicado na revista Nature Neuroscience. De acordo com o periódico, o acúmulo da proteína tau e beta-amiloide só provoca a reação dos astrócitos que participam da sinapse (comunicação entre um neurônio e outra célula) quando a microglia, célula de defesa do cérebro, também está ativada.

 

“Quando se diz que essas proteínas se acumulam no cérebro, queremos dizer que elas formam grumos insolúveis. Ou seja, pedrinhas mesmo. Essas duas células [astrócitos e microglias] coordenam a resposta imune do cérebro, e nós já sabíamos que essas pedrinhas de proteínas fazem com que essas células respondam mudando para um estado reativo. Quando essas células estão reativas, o cérebro está inflamado”, explicou Zimmer.

 

Segundo o professor, essas evidências já haviam sido encontradas em animais e em cérebros post mortem, mas os cientistas nunca haviam visto essa comunicação entre as células em pacientes vivos. Esse achado foi possível devido à utilização de marcadores como exames de imagem de última geração e biomarcadores ultrassensíveis.

 

“Nós já sabíamos que a placa beta-amilóide [as pedrinhas que causam a inflamação] fazia o astrócito ficar reativo. O que não sabíamos é que, para a doença se estabelecer, a microglia também tinha que estar reativa. Então, com esses dois ativos, o astrócito se associa à placa beta-amilóide. Se o astrócito estiver reativo e a microglia não, nada acontece. Nesse contexto das duas células ativas, conseguimos explicar toda a progressão da doença com os outros marcadores, de amiloide e de tau até 76% da variância na cognição”, disse o neurocientista.

Fatores de risco

Zimmer ressaltou que ainda não se sabe exatamente o que causa o aparecimento da placa beta-amilóide. Entretanto, sabe-se que há vários fatores de risco e que a combinação de genética com as exposições durante a vida influenciam. Quanto mais exposições boas, menores as chances de se desenvolver Alzheimer no futuro.

 

Entre os possíveis gatilhos para a doença estão o tabagismo, o alcoolismo, o sedentarismo e a obesidade. No sentido contrário, ajudam na prevenção a prática de atividades físicas, a boa alimentação, a qualidade do sono e o estímulo intelectual.

 

A descoberta do laboratório de Zimmer contribui para uma nova visão de tratamento, já que nos últimos anos a ideia era a de desenvolver fármacos que agissem nas placas beta-amilóides. A perspectiva atual sugere que pode ser necessário desenvolver medicamentos que consigam interromper a comunicação entre os astrócitos e as microglias. 

 

“Então a ideia é a de que, além de tirar as ‘pedrinhas’, vamos precisar acalmar essa informação no cérebro, acalmar esse diálogo entre as duas células”, ponderou o neurocientista.

 

A doença

O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal caracterizado pela deterioração cognitiva e da memória, pelo comprometimento progressivo das atividades de vida diária e por uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais. De acordo com o Ministério da Saúde, a enfermidade é a forma mais comum de demência neurodegenerativa em pessoas de idade, sendo responsável por mais da metade dos casos nessa população.

 

Geralmente, a doença evolui para vários estágios de forma lenta e progressiva, sem que se possa fazer algo para barrar o avanço dela. Segundo o Ministério da Saúde, a demência é mais comum em pacientes que têm algum familiar que já sofreu do problema. “Pessoas que estudaram por mais tempo geralmente têm mais facilidade de realizar tarefas que estimulam o raciocínio e outras habilidades mentais. Esses estímulos podem ajudar a manter o cérebro ativo e saudável ao longo da vida”, ressalta a pasta.

O primeiro sintoma - e o mais característico - do Mal de Alzheimer é a perda de memória recente. Com a progressão da doença, vão aparecendo manifestações mais graves, como perda de memória remota (dos fatos mais antigos), bem como irritabilidade, falhas na linguagem, prejuízo na capacidade de se orientar no espaço e no tempo. (Com a Agência Brasil)

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