Espera recorde

Entidades apontam aumento histórico no tempo de espera para carga e descarga, agravando custos logísticos e pressionando a rotina dos caminhoneiros

Estradas / 29 de Abril de 2026 / 0 Comentários

O tempo de espera enfrentado por caminhoneiros para carregar ou descarregar mercadorias atingiu o maior nível da última década em 2025, segundo levantamentos de entidades do setor de transporte de cargas.

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O tempo de espera enfrentado por caminhoneiros para carregar ou descarregar mercadorias atingiu o maior nível da última década em 2025, segundo levantamentos de entidades do setor de transporte de cargas. A demora nos terminais logísticos e nos centros de distribuição tem ampliado os custos da cadeia logística e gerado impactos diretos na rotina e na renda dos motoristas profissionais.

Pesquisa do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região (Setcesp), realizada com o apoio do Instituto Paulista do Transporte de Carga (IPTC), aponta que o Tempo Médio de Descarga (TMD) nos principais pontos de recebimento de mercadorias da região metropolitana de São Paulo chegou a cinco horas e nove minutos em 2025, o maior valor registrado em dez anos. O indicador representa quase uma hora a mais em relação ao de 2024, evidenciando aumento das filas e gargalos logísticos nos centros urbanos.

O estudo analisou 175 estabelecimentos entre junho e novembro de 2025 e identificou uma série de fatores estruturais por trás da demora. Entre eles estão a insuficiência de docas para carga e descarga e a falta de áreas adequadas para estacionamento de caminhões e processos burocráticos nos pontos de entrega. 

Outro dado que chama atenção é que apenas 13% dos estabelecimentos possuem vagas destinadas especificamente a operações de carga e descarga, enquanto a maioria prioriza vagas pra clientes e circulação interna. 

Para as empresas transportadoras e para os motoristas autônomos, o impacto vai além do tempo perdido. Caminhão parado significa queda de produtividade, atraso nas entregas e aumento do chamado “custo Brasil”, já que o veículo deixa de realizar novas viagens enquanto aguarda atendimento. O problema também pressiona o valor do frete e a organização das rotas logísticas.

Impacto na rotina

O tempo de espera se soma a uma rotina já considerada pesada para os profissionais do transporte rodoviário. Levantamento apresentado à Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) indica que os caminhoneiros autônomos trabalham em média 14 horas por dia e cerca de 25 dias por mês.

Representantes da categoria afirmam que a demora nos pontos de carga e descarga acaba ampliando jornadas e prejudicando o descanso dos motoristas, além de gerar perdas financeiras quando não há pagamento pelo tempo parado. A remuneração pelo chamado “tempo de espera” é uma das pautas recorrentes defendidas por sindicatos e associações da categoria.

O tema também ganhou destaque em debates do setor logístico ao longo de 2025, com caminhoneiros reivindicando maior fiscalização e cumprimento das normas que tratam da jornada de trabalho e da remuneração quando o motorista permanece aguardando atendimento nos terminais. 

Em períodos de grande produção agrícola, como nas safras recordes de grãos, a situação tende a se agravar. Filas de caminhões em áreas portuárias ou terminais de transbordo podem alcançar dezenas de quilômetros, ampliando ainda mais o tempo de espera dos motoristas.

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