Dose única de proteção
Vacina contra dengue 100% produzida no país começa a ser aplicada
A vacina de dose única contra a dengue começou a ser aplicada no Brasil, país pioneiro no desenvolvimento de um imunizante contra a arbovirose que dispensa reforço.
A vacina de dose única contra a dengue começou a ser aplicada no Brasil, país pioneiro no desenvolvimento de um imunizante contra a arbovirose que dispensa reforço. Com produção 100% nacional - realizada pelo Instituto Butantan -, a Butantan-DV está sendo aplicada inicialmente em profissionais da atenção primária que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS): médicos, enfermeiros, agentes comunitários e agentes de endemias. Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e Botucatu (SP) foram os municípios-piloto na aplicação. Na próxima etapa, o imunizante será destinado à população geral entre 12 e 59 anos, faixa etária contemplada pelos estudos.
“Essa é uma iniciativa que nós temos conduzido aqui, no Ceará, em Minas Gerais e no estado de São Paulo. Cidades escolhidas por terem população entre 100 mil e 200 mil habitantes e uma rede de saúde estruturada, que permite implementar a vacina e avaliar seu impacto na imunização da população e na circulação do vírus na comunidade”, afirmou Adriano Massuda, ministro da Saúde em exercício em janeiro último.
Ao longo do ano, especialistas irão avaliar a incidência da dengue nos municípios selecionados, além de monitorar possíveis eventos adversos raros após a imunização, metodologia semelhante à que foi adotada em Botucatu na avaliação da efetividade da vacina contra a Covid-19.
Por meio da parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a vacinação será gradualmente ampliada para todo o país, começando pela população de 59 anos e avançando até a de 15. Já para o público de 10 a 14 anos, continua sendo ofertada a vacina japonesa, com esquema de duas doses.
Reforço
A Butantan-DV utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado, presente em outros imunizantes em uso no Brasil e no mundo, como as vacinas tríplice viral, contra a febre amarela, contra a poliomielite (oral) e algumas contra a gripe.
O imunizante oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Os estudos clínicos indicam uma eficácia global de 74%, com redução de 91% dos casos graves e 100% de proteção contra hospitalização pela doença transmitida pelo Aedes aegypti, de acordo com avaliação técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A dose também demonstrou 89% de proteção contra formas graves da doença e contra formas de dengue com sinais de alarme, conforme consta em publicação da revista científica “The Lancet Infectious Diseases”.
A pesquisa publicada pelo Instituto Butantan no periódico demonstra que a vacina poderá ajudar a reduzir a carga viral - quantidade de vírus - em pessoas infectadas pelo patógeno, prevenindo o agravamento da doença.
Segundo o estudo, apesar de algumas pessoas terem sido infectadas após a vacinação, a carga viral nos vacinados foi consideravelmente menor do que em participantes não imunizados. Isso, na avaliação dos pesquisadores, demonstrou a eficácia da vacina em induzir uma resposta imune e diminuir a replicação do vírus nas células.
Cenário epidemiológico
Em Minas Gerais, nas primeiras sete semanas de 2026, foram registrados 14.296 casos prováveis de dengue, dos quais 3.888 foram confirmados. Quinze mortes pela doença são investigadas no estado, e duas tiveram confirmação. (Com a Agência Brasil)
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