Frete pressionado

Reoneração da folha eleva custos no transporte rodoviário e tende a puxar reajustes

Economia / 20 de Março de 2026 / 0 Comentários

A volta gradual da cobrança previdenciária sobre a folha de pagamentos começou a chegar, de forma mais perceptível, ao preço do frete rodoviário em 2026.

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A volta gradual da cobrança previdenciária sobre a folha de pagamentos começou a chegar, de forma mais perceptível, ao preço do frete rodoviário em 2026. Desde 1º de janeiro, entrou em vigor a segunda etapa da reoneração prevista na Lei 14.973/2024, que substituiu o modelo anterior - em que parte dos setores contribuía sobre a receita bruta - por um retorno progressivo à incidência sobre a folha.

Na prática, a transição aumenta o peso do custo trabalhista nas empresas, com alíquotas escalonadas: 5% em 2025, 10% em 2026 e 20% em 2027, segundo a regra aprovada no Congresso. Em materiais técnicos publicados pelo governo federal para orientar planilhas de custos em contratos com dedicação de mão de obra, a própria administração reconhece que a reoneração exige a “reinserção” dessa alíquota no cálculo de encargos, o que tende a se refletir no preço final dos serviços.

 

No transporte rodoviário de cargas (TRC), o efeito aparece em duas frentes: pressão direta sobre o custo operacional e disputa pelo repasse ao contratante. Simulações divulgadas por publicações especializadas do setor, a partir de estimativas do Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas (Decope), ligado à NTC&Logística, apontam que o impacto direto médio da medida é de cerca de 1,5% ao ano nos custos das empresas. Considerando a primeira fase, iniciada em janeiro de 2025, o efeito acumulado alcançaria aproximadamente 3% em 2026. 

A tendência, porém, não é uniforme: operações com mão de obra considerada intensiva - como distribuição urbana e transporte fracionado, com maior número de motoristas e equipes de apoio por volume movimentado - tendem a sentir mais rapidamente o aumento de encargos. Já empresas que operam com maior participação de autônomos e agregados podem perceber o impacto de forma diferente, mas ainda assim lidam com custos de estrutura, gestão e conformidade trabalhista.

Entidades do segmento afirmam que o setor já opera com margens apertadas, o que reduz a capacidade de absorver novos custos sem mexer em preços. Em nota oficial reproduzida por federações e sindicatos do transporte, a NTC&Logística alerta que a reoneração “pressiona o valor do frete” e ameaça a rentabilidade das operações, em um cenário em que o equilíbrio entre custo real e frete praticado já seria desafiador.

 

Para a economia, o ponto sensível é o alcance do rodoviário: reajustes no frete tendem a repercutir em cadeias longas - da indústria ao varejo - e, em especial, em bens essenciais de grande circulação.

 

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