Retração no mercado de caminhões
Mercado registrou recuo de 8,65% em 2025 em relação a 2024. A expectativa é de retomada moderada para 2026.
O mercado brasileiro de caminhões novos encerrou 2025 com retração de 8,65% na comparação com 2024, segundo balanço divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
O mercado brasileiro de caminhões novos encerrou 2025 com retração de 8,65% na comparação com 2024, segundo balanço divulgado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Ao longo do ano passado, foram emplacados 110.873 caminhões, contra 121.373 unidades no ano anterior.
A queda foi ainda mais acentuada no segmento de implementos rodoviários, que registrou recuo de 19,88%. O volume de emplacamentos caiu de 88.660 unidades em 2024 para 71.030 em 2025, de acordo com a entidade. Por meio da assessoria de imprensa, o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, avaliou que o desempenho negativo dos caminhões reflete a dependência do setor em relação ao crescimento econômico e às condições de crédito.
“O resultado mostra a reação de um mercado muito dependente do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e das taxas de juros aplicadas aos financiamentos, que fizeram os transportadores ficarem em compasso de espera pela redução dos juros. Agora, o setor passa a contar com o programa Move Brasil, que teve o envolvimento da Fenabrave, para estimular a renovação de frotas no primeiro semestre de 2026”, afirmou.
Segundo Arcelio Junior, a retração em 2025 foi puxada principalmente pelos caminhões extrapesados. “Com os problemas no agronegócio (irregularidades de chuva, quebras pontuais de safra e baixa nos preços internacionais), o maior impacto nas vendas foi sofrido pelos extrapesados, que representam quase 45% do mercado e apresentaram queda média de 20,33% em relação a 2024”, contextualiza.
Outros fatores
Especialistas analisam que os dados do mercado em 2025 mostram uma postura mais cautelosa dos transportadores diante dos custos operacionais elevados e da maior seletividade na renovação de frota, além de uma pausa no ciclo pós-transição tecnológica. Após períodos de compras relacionadas às mudanças nas normas de emissão (como Euro 6/Proconve P8), o mercado naturalmente passa por períodos de consolidação. É importante apontar ainda que os profissionais do setor buscam produtividade na gestão da frota existente, e não apenas a adição de caminhões novos ao pátio.
Perspectivas
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta leve recuperação em 2026, com aumento de 1,4% na produção, chegando a 125,8 mil caminhões. A Fenabrave projeta retomada moderada nas vendas, com previsão de 115 mil unidades comercializadas, o que representaria crescimento de 3,5% em relação a 2025. Parte dessa expectativa se baseia no programa Move Brasil, lançado pelo governo federal, que prevê até R$ 10 bilhões em financiamentos via BNDES para a compra de caminhões novos e usados.
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