Associações: parceiras leais de transportadores

Essas instituições oferecem serviços diferenciados, pois atuam ao lado dos caminhoneiros. Sem dúvida, são responsáveis pelo funcionamento profícuo do setor.

Capa / 15 de Fevereiro de 2017 / 0 Comentários
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Ao lado da globalização, da produção de bens e de serviços sem fronteiras, surge um movimento de pessoas em torno de um bem comum. Nesse contexto, são criadas as associações, com a finalidade de oferecerem algum resultado que beneficie a sociedade. Elas são legalmente constituídas e chanceladas pelo poder público.

Como setor fundamental para o desenvolvimento econômico do Brasil, o transporte rodoviário de cargas conta com a parceria profícua das associações, que oferecem serviços diferenciados a seus associados. Sem dúvida, essas instituições são essenciais para a atuação de transportadores, os quais vêm enfrentando muitas adversidades nos últimos anos devido às crises econômica e política instaladas no país.

“As associações conseguem oferecer serviços de acordo com a real necessidade do transportador e em menor custo porque trabalham junto com seus associados. As legítimas associações têm em sua direção profissionais do setor. Assim, é possível conhecer a realidade do caminhoneiro e entender que sua principal ferramenta de trabalho não pode parar”, diz o presidente da Associação de Prevenção de Acidentes e de Assistência aos Amigos e Cooperados da Coopercemg (Apacoop), Rogério Batista do Carmo.

Há muitos anos nessa área, ele conta que a eficiência da atuação de associações é fruto da proximidade com o associado. Rogério enfatiza que existe uma relação de confiança que permite ao representante da associação entender as demandas dos transportadores e atendê-las. Isso significa identificar prestadores de serviços em reparos de caminhões, fornecedores de peças e equipamentos qualificados, ágeis e em custo adequado, em busca sempre do menor valor.

Outra frente pontuada pelo presidente da Associação Particular de Ajuda ao Colega (Apac) Sul, Marcio Arantes, é o suporte permanente ao associado. “Oferecemos serviços de rastreamento e apoio na aquisição de peças e equipamentos. Desenvolvemos um serviço especializado em compras. Temos profissionais que monitoram os fornecedores de pneus, peças e todos os insumos para o transporte e sugerimos a aquisição mais adequada. Assim, o carreteiro consegue o melhor valor, o melhor prazo para pagamento e no menor tempo de entrega”, explica Arantes.

 Ambiente de inclusão

De acordo com o estudo “Associativismo e Cooperativismo”, dos autores Karla Kallyana Filgueira Felix, Luzivânia Ferreira Moreira, Rosa Adeyse Silva e Wilkcimara Santiago Silva, o associativismo é fruto da luta pela sobrevivência e pela melhoria das condições de vida nas comunidades, e todo o patrimônio de uma associação é constituído pelos associados ou por seus membros. Logo, as associações não possuem fins lucrativos.

Nas comunidades, a participação, a solidariedade, a cooperação em torno de objetivos comuns têm sido fundamentais para se assegurarem melhores condições de vida. Essa prática, mais do que uma forma de organização, é uma construção e uma conquista social. “Acredito que, sem as associações de transporte, os caminhoneiros teriam muitas dificuldades de manter seus negócios. Estamos em um momento econômico adverso, e não poder contar com a união de profissionais em torno de objetivos comuns seria impossível”, avalia Marcio.

As associações também contam com benefícios e parcerias com variadas empresas, o que permite a elas oferecerem descontos em faculdades, cursos preparatórios, lojas de acessórios veicular, serviços gerais para residências, auxílio jurídico, além de eventos sociais.

Indiretamente, elas também criam empregos formais e geram renda a milhares de pessoas. Como a finalidade das associações é manterem um custo baixo na prestação de serviços, tendo em vista o rateio de despesas para cada associado, é de interesse da diretoria buscar produtos e serviços mais baratos e com qualidade Por isso, as associações de transporte sempre contratam, por exemplo, oficinas de menor porte e que façam parte da localidade da associação.

Para o presidente da Tchê Benefícios, Gelson Susin, “qualquer forma de organização que visa à melhoria do setor é bem-vinda. No caso das associações de proteção para os transportadores de carga, trata-se de uma solução que veio somar eficiência com redução de custos”. “É muito importante que o profissional do transporte interessado em se associar busque informações quanto à associação, à sua atuação e aos prestadores de serviços com que ela se relaciona. Volto a insistir que a diretoria deve contemplar transportadores, pois assim é possível manter a pessoalidade e entender a demanda do associado, que se sentirá mais seguro”, ressalta Rogério.

 Aprimoramentos

Graças ao relevante papel de associações de transportadores, está em fase conclusiva para implementação o Projeto de Lei 356/2012, que busca introduzir no Código Civil o Enunciado 185, aprovado na III Jornada de Direito Civil, promovida pelo Conselho da Justiça Federal: “A disciplina dos seguros do Código Civil e as normas da previdência privada que impõem a contratação exclusivamente por meio de entidades legalmente autorizadas não impedem a formação de grupos restritos de ajuda mútua, caracterizadas pela autogestão”. Nesse sentindo, fica permitida a união de determinado segmento, como o dos caminhoneiros, para o rateio de todos os eventos acontecidos.

Não há margem de lucro, seja por parte da associação, que simplesmente se encarrega de arrecadar a cota de cada um dos associados nos rateios para transferi-la aos prestadores de serviços (oficinas, casas de peças etc.), seja por parte dos associados cujos veículos desapareceram ou não têm condições de, economicamente, ser recuperados, nem tampouco pelos associados que simplesmente recebem as indenizações necessárias para cobrir seu prejuízo.

“São anos de trabalho, de muito diálogo e de força de vontade com o objetivo de legitimar uma atividade que é vital para o setor de transportes. Esse segmento enfrenta adversidades suficientes para seus profissionais serem impedidos de atuar por meio da parceria e do profissionalismo. Para a Fenacat, associativismo é sinônimo de maturidade na gestão”, orgulha-se o presidente da federação, Luiz Carlos Neves.

O diretor da Entrevias, membro da diretoria da Fenacat e sócio da Tchê Benefícios, Geraldo Eugênio de Assis, enfatiza que as associações de pessoas sempre devem começar para o bem comum, seja por meio de associações, seja através de cooperativas ou de sindicatos. “Como já estive à frente desses três modelos, vejo que o amadurecimento de todos que fazem parte do sistema é fundamental para que eles continuem a fazer seu papel social. Quando a vaidade vem em primeiro lugar, essas entidades se desmantelam e perdem sua eficácia. Infelizmente, para os transportadores de carga, várias são as entidades que se perdem diante da ineficácia de seus dirigentes. O melhor de tudo é que eles não são perpétuos. E a cada tempo novos membros são escolhidos para dirigi-las. Por isso, sempre acredite na estrutura associativista. E, se um dirigente contrapõe os interesses da maioria, a mobilização é um instrumento fundamental para mudar o quadro social”, explica Geraldo.

O presidente do Sindicato dos Cegonheiros de Minas Gerais, Carlos Roesel, acrescenta: “Uma importante vantagem das associações de transportadores é a soma de inteligências e de habilidades profissionais. Juntos, podemos atingir um grande sucesso, e a realização pessoal virá de modo mais rápido e eficiente.” 


 Em tempos de crise, associações têm função relevante

 Recente pesquisa nacional revela uma significativa queda no faturamento do setor de transporte rodoviário. Em 84% das empresas pesquisadas (num universo de 1.785), o faturamento de 2016 caiu em média 19,13%. De acordo com esse estudo, realizado pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) em colaboração com a Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT), alguns fatores contribuíram para tal situação: o aumentos de custos, especialmente as majorações nos últimos 12 meses de salários (8,72%), combustível (4,25%), despesas administrativas (9,20%), manutenção (6,58%), veículos (5,61%) e lavagem (8,40%).

Outro fator foi a redução drástica do volume de carga, provocada pela grande recessão dos últimos dois anos. A queda do movimento de veículos pesados pelas praças de pedágio, de 14,81% em relação a 2013 e de 6,72% apenas em 2016, indica os reflexos da recessão no transporte rodoviário de cargas. O setor ainda enfrenta o comprometimento de seu faturamento com o aumento cada vez maior de fretes atrasados (14,90%, segundo a pesquisa). “Essa situação é insustentável, sobretudo levando-se em consideração as margens estreitas de lucro praticadas pelas empresas do setor quando a economia está em expansão, as quais acabaram comprimidas pela recessão. O ano de 2017 promete ainda modesta recuperação na economia, muito embora se fale em uma safra recorde, cabendo ao empresário de transporte preparar-se para o crescimento que certamente virá nos anos seguintes”, analisa o presidente da NTC&Logística, José Hélio Fernandes.

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