Imunização nas fronteiras

Programa de reforço vacinal do Ministério da Saúde vai atender 33 municípios até o fim do ano

Saúde / 28 de Outubro de 2022 / 0 Comentários
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Até 16 de dezembro, brasileiros e estrangeiros residentes em 33 municípios do país que fazem fronteira seca ou fluvial com cidades de outros países serão atendidos pelo programa de reforço vacinal do Ministério da Saúde. A iniciativa foi lançada em 12 de setembro e prevê a aplicação dos imunizantes contra a poliomielite, a Covid-19 e a febre amarela, bem como o tríplice viral, o pentavalente e o pneumocócica-10.

A ação do governo federal vai contemplar dez Estados: Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. Essas unidades possuem as chamadas cidades gêmeas – por estarem demarcadas na linha fronteiriça – na Argentina, na Bolívia, na Guiana, na Guiana Francesa, no Paraguai, no Peru e no Uruguai.

Para as pessoas que não forem residentes nesses municípios, é importante lembrar que as vacinas estão disponíveis em todos os postos de saúde do país. Portanto, caminhoneiros que não estão com o esquema vacinal completo podem se dirigir a qualquer unidade básica de saúde e se vacinar.

A meta do programa é atualizar a situação vacinal da população de todas as faixas etárias dessas localidades, que corresponde a aproximadamente 1,34 milhão de pessoas. O objetivo da iniciativa, segundo a União, é melhorar os índices de cobertura para evitar novos casos e a reintrodução de doenças no país.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil possui 588 municípios localizados na faixa de fronteira, o equivalente a 16,7% do território nacional. Desse total, 33 são classificados como cidades gêmeas.

O Estado com o maior número de municípios abrangidos pelo programa é o Rio Grande do Sul (11). Na sequência, aparecem Mato Grosso do Sul (sete), Acre (quatro), Paraná (quatro), Roraima (dois), Amapá (um), Amazonas (um), Mato Grosso (um), Rondônia (um) e Santa Catarina (um).

 

Riscos à saúde

Desde 2015, o Brasil vem registrando um recuo na cobertura vacinal e ficando aquém das metas a cada ano. Esse cenário, de acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o pediatra Juarez Cunha, pode trazer de volta surtos de doenças que já haviam sido erradicadas, como a poliomielite.

Para o médico, a desinformação alimentada por grupos antivacina tem contribuído com esses números decrescentes. “Com a pandemia, a desinformação e as notícias falsas acabaram abalando ainda mais a confiança (da população nas vacinas)”, afirma Cunha.

No entanto, o pediatra ressalta que foram justamente os imunizantes que evitaram entre 600 mil e 900 mil mortes pelo novo coronavírus no país somente no ano passado. “Então, se não valorizarmos as vacinas, infelizmente, vamos ver pessoas, inclusive crianças, que poderiam evoluir de forma saudável adoecerem e morrerem por doenças que poderiam ser evitadas”, frisa o pediatra.

O presidente da SBIm lembra que o Programa Nacional de Imunização é uma referência mundial e que os brasileiros sempre confiaram nas vacinas. “Temos que recuperar isso. É fundamental que a população conheça esses aspectos, principalmente os riscos. Temos vacinas seguras, eficazes e distribuídas gratuitamente. A gente tem que estimular a vacinação na população”, conclui Cunha. (Com a Agência Brasil)

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