Menos desperdício

Estudo aponta políticas públicas e ações importantes para evitar a perda de alimentos no Brasil

Meio Ambiente / 03 de Maio de 2024 / 0 Comentários

Cerca de 14% dos alimentos produzidos no mundo são perdidos antes de chegarem ao mercado. E 17% do total de alimentos que chegam ao mercado são desperdiçados no lixo de residências, supermercados, restaurantes ou outras partes do processo de consumo.

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Cerca de 14% dos alimentos produzidos no mundo são perdidos antes de chegarem ao mercado. E 17% do total de alimentos que chegam ao mercado são desperdiçados no lixo de residências, supermercados, restaurantes ou outras partes do processo de consumo. Os dados são da Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente e mostram que são urgentes as medidas para evitar essas perdas em um mundo onde há insegurança alimentar por parte da população.

Pra apontar soluções para o problema global, a Food Law and Policy Clinic (FLPC), da Harvard Law School, nos Estados Unidos, realizou uma pesquisa em 24 países, entre eles o Brasil, sobre o desperdício de alimentos e a insegurança alimentar. As recomendações compõem o Atlas Global de Políticas de Doação de Alimentos que, no Brasil, teve como interlocutor o programa Sesc Mesa Brasil.
 
Em entrevista à Agência Brasil, a diretora de Programas Sociais do Sesc, Janaína Cunha, disse que é importante que as pessoas conheçam o potencial dos alimentos para não descartar, por exemplo, cascas e outras partes do alimento que podem ser usadas de várias maneiras. Um exemplo, segundo ela, é a casca da banana, que pode ser usada como farinha nutritiva e ingrediente para um bolo. “Com isso, além de não desperdiçar, a pessoa agrega valor nutricional ao alimento que está sendo preparado”, afirmou.
 
Ela explicou que muitos alimentos que são descartados estão em plena condição de uso e consumo. “Muitas vezes, o alimento talvez não esteja virtualmente em condições de ser comercializado, mas está próprio para consumo e absolutamente adequado para a mesa”, explicou. 
 
Para a população em geral, o Sesc traz recomendações. A primeira delas é fazer lista de compras antes de ir ao mercado analisando a despensa e a geladeira para ter certeza das necessidades. Na hora de cozinhar, a recomendação é dar prioridade aos alimentos que estão próximos da data de vencimento. 
 
Outra indicação para o consumidor é aumentar a periodicidade das compras, ou seja, em vez de fazer uma grande compra por mês, deve-se ir ao mercado mais vezes e comprar em pequenas quantidades. Ter cuidado com as promoções também é uma dica, já que elas estimulam o consumo em quantidade muitas vezes maior do que o necessário. Assim, os alimentos acabam estragando e sendo descartados. Em vez disso, aproveite a promoção para variar os alimentos da casa.
Higienizar, secar e guardar frutas, verduras e legumes na geladeira em potes hermeticamente fechados facilita o consumo e evita que o alimento estrague mais rapidamente. Outra indicação é congelar as sobras. Além disso, aproveitar integralmente os alimentos é importante para evitar o desperdício. Cascas, raízes, sementes, folhas e talos também são ricos em nutrientes. Por isso, a indicação é buscar novas receitas com essas partes.
Mesmo quem mora em apartamento pode ainda fazer uma composteira para resíduos orgânicos. É uma forma de transformar o lixo orgânico em adubo para hortas e plantas.
 
Emissões
O desperdício e as perdas de alimentos, segundo a pesquisa, são responsáveis por 10% das emissões globais de gases de efeito estufa. O estudo sugeriu como política pública o incentivo à doação de alimentos por empresas tipo sacolões e a dedução fiscal para quem tomar essa atitude.
 
A insegurança alimentar atinge cerca de um quarto da população brasileira e se caracteriza tanto pela escassez de alimentos e pela fome quanto pela falta de nutrientes no que é consumido e na quantidade de refeições diárias.

 

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