O farol: mocinho e vilão

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Veículos / 08 de Outubro de 2015 / 0 Comentários
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Pequenos atritos e luzes incorretas podem prejudicar a iluminação adequada de veículos; circular com esses equipamentos coloca a segurança do motorista em risco

uem nunca perdeu a visão do trânsito quando o farol do condutor que trafegava em sentido contrário ou mesmo atrás estava desregulado para cima ou para baixo? Esse erro comum de motoristas prejudica seriamente a visibilidade de quem trafega pelas estradas, podendo, além de causar um grave acidente de trânsito, fazer com que a pessoa responsável pelo veículo desregulado perca cinco pontos na carteira de habilitação, pague multa de R$ 127,69 e tenha o veículo apreendido.
Segundo Lázaro Moraes, gerente de desenvolvimento da Nino Faróis, empresa​ fabricante de produtos para iluminação automotiva, um erro muito cometido por condutores é utilizar lâmpadas adaptadas ao sistema original com potência maior do que a determinada pelo projeto do veículo. “Isso pode danificar o interior do farol, principalmente o refletor”, explica. Mas existem outros fatores prejudiciais, como não colocar a tampa ou a luva de vedação devidamente posicionadas após a troca de lâmpadas queimadas. “Esse tipo de erro possibilita, por exemplo, a infiltração de água no farol. Outro erro comum é lavar o veículo com detergentes muito agressivos à pintura, que podem estragar a superfície externa do farol. O consumidor não vê, mas os faróis de lente plástica (feitos de policarbonato) recebem uma fina camada de verniz para o endurecimento da superfície. A reação química do detergente neles pode ir além da remoção da sujeira, agredindo também o verniz. Com o tempo, a transparência da lente do farol vai ficando opaca, e, antes da aparência envelhecida, haverá um aumento considerável do ofuscamento (a famosa luz nociva aos olhos do motoris​ta que trafega em sentido oposto à noite) e da perda da iluminação”, afirma Moraes, que é desenhista industrial pós-graduado em gestão e tecnologia em projetos de produto.
A abrasão também está entre os agentes mais nocivos aos faróis. Isso porque o trabalho contínuo em áreas com muita poeira suspensa e com deslocamento em velocidade faz com que o farol seja jateado com partículas sólidas constantemente. Nesse caso, os faróis com lentes em policarbonato são os que mais sofrem. “Os faróis com lente de vidro quebram facilmente com golpes. Em contrapartida, resistem mais à abrasão, enquanto o policarbonato resiste a golpes, mas sofre com os agentes abrasivos”, orienta Moraes.
Uma simples “encostadinha” é suficiente para quebrar molas, lâmpadas e refletores do carro. Quando isso acontecer, recomenda-se fazer a inspeção veicular. Assim como os para-choques dos veículos, os faróis hoje também são de plástico e flexíveis. Uma encostada pode mudar a posição de instalação do farol, desregulá-lo e até​ soltar ou quebrar algum componente interno, comprometendo seu funcionamento. “Nesse caso, o melhor é substituir o conjunto”, afirma o especialista.
Estradas malconservadas e pavimentos irregulares e esburacados são outros violões para manter a adequada regulagem dos faróis. As lâmpadas são as que mais sofrem com pequenos impactos, como os provocados pela passagem rápida do veículo sobre buracos, fazendo com que percam consideravelmente sua via útil. De acordo com Moraes, o filamento, quando aquecido, é mais suscetível a deformações do que quando está frio. Assim, quando o farol está aceso e sofre um movimento brusco, há uma probabilidade muito grande de o filamento se deformar, de modo que a iluminação do farol não seja mais a mesma. “O foco é comprometido, deformando inclusive a linha de
projeção do facho baixo. Quando o filamento já está com muito uso, rompe-se, tendo o mesmo efeito da queima”.​

MANUTENÇÃO PREVENTIVA
De acordo com o engenheiro eletricista Hélcio Timóteo, da Autoelétrica Trovão, em Betim, é de extrema importância que os motoristas façam periodicamente a manutenção e a regulagem preventiva dos faróis. “Esses são procedimentos rápidos e levam, em média, 30 minutos. Existem no mercado
diversos centros automotivos e autorizadas que prestam esse tipo de serviço e, o mais importante, por um valor bastante acessível”, garante.
Em condições normais, a única manutenção preventiva necessária dos faróis, afirma Lázaro Moraes, é trocar a lâmpada e regular o farol depois da troca. Mas, ainda de acordo com ele, isso depende das condições e do tempo da utilização do sistema de iluminação. “Um caminhoneiro, por exemplo, que trafega todas as noites deve efetuar a troca da lâmpada do farol baixo e/ou de neblina a cada cinco ou seis meses, para manter o nível de iluminação, e deve trocar os faróis antes da queima por envelhecimento. No caso de motoristas que trafegam todas as noites e pelas manhãs com o farol ligado, em média, por uma hora e meia, é aconselhável efetuar a troca a cada dois anos”, ressalta o especialista. Vale destacar que trocar a lâmpada somente quando ela queima não é uma boa opção
porque, muito antes da queima, a iluminação fica fraca. “Esse efeito faz com que o consumidor queira comprar uma lâmpada mais potente, já que a sensação é a de que a lâmpada original é muito fraca. Mas essa lâmpada não é fraca, apenas está fraca, pois é muito usada e não tem mais o desempenho
esperado”, completa. 
Quando apenas uma lâmpada do veículo queimar, é melhor que se troquem as duas. “As lâmpadas trocadas juntas tendem a queimar no mesmo período. Portanto, a segunda não demorará a queimar. E, se o motorista trocar apenas uma, a tendência é que um dos faróis fique mais intenso e com a luz mais branca do que a outra”, explica Moraes. Atenção também para as lâmpadas das lanternas. O sistema de sinalização é muito importante. Nos casos em que os faróis altos e baixos são independentes, a dica é efetuar a troca somente do farol baixo e inspecionar a lâmpada do farol alto.
“Visualmente, quando a lâmpada já não ilumina bem, é possível ver o seu filamento (espiral no interior do bulbo que é incandescido) rugoso e com manchas”, finaliza Moraes.

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