Viagem no tempo

O Museu de Objetos e Veículos Antigos (Mova) é a concretização de um sonho e será um lugar para apaixonados por carros antigos

Capa / 13 de Abril de 2016 / 0 Comentários
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Há 30 anos, o bioquímico Jeferson Rios, mineiro de 70 anos, tem ver­dadeira paixão por carros e obje­tos antigos. Quando jovem, morava em um bairro nobre, porém seus recursos financei­ros eram escassos. Jeferson deslumbrava-se com os carros da época, e seu pai não tinha condições de adquiri-los. Então, ele disse para si mesmo que um dia teria os automó­veis. O que cabia no orçamento era com­prar tais carros em forma de sucata, já que não era possível adquirir os restaurados.

Devagar, de acordo com suas possi­bilidades, Jeferson ia restaurando os au­tomóveis. Três décadas depois, um amigo lhe disse: “- Jeferson, é muito egoísmo de sua parte guardar tudo isso. Você devia ex­por os veículos”. O amigo sugeriu que ele criasse um ambiente de exposição. Assim começava o projeto Museu de Objetos e Veículos Antigos (Mova). “E esse sonho me persegue há cinco anos: até eu chegar e conseguir o terreno, ter a aprovação do projeto pela Lei Rouanet, no Ministério da Cultura, e pelo Instituto Brasileiro de Mu­seus”, conta Jeferson.

O projeto do museu é grandioso e foi todo elaborado pelo mineiro, com ideias advindas de filmes antigos sobre carros. E não apenas os mais de 25 veículos já res­taurados vão compor o museu. No acervo, são 8.000 itens, como geladeira, fogão, rá­dio, radiola, telefone, produtos da Segunda Guerra Mundial – todos datados dos sécu­los 19 ao 20.

COMPLEXO DE CULTURA

Com inauguração prevista para daqui a quatro anos, o Mova também contará com um bar e um restaurante. O bar vai ser decorado com a temática dos anos 1950: máquina que reproduz músicas da época (jukebox), televisão, na qual serão exibi­dos filmes da década, cadeiras do mesmo período e funcionários uniformizados com roupas retrô. O restaurante vai homenage­ar a década de 1940, com piano de cauda, poltronas e mobília que parecem ter saído de um filme.

Um cinema drive-in, com capacidade para cem pessoas, também será construí­do e terá como temática os anos 1950. “O projetor terá a carcaça desse período, po­rém tecnologia nova. Ficará parecido com o do filme ‘Cine Paradiso’, com um projetor grande”, conta Jeferson. No telão, serão exibidos filmes de interesse de coleciona­dores, como os de corrida de carro antigos e clássicos da época.

A estrutura contempla ainda um hotel para carros antigos. “Hoje, o grande pro­blema do colecionador é a garagem. En­tão, disponibilizaremos um local para ele guardar os carros”, diz o empreendedor. Além disso, haverá local para reuniões de membros de clubes de veículos antigos e para leilão de automóveis e de peças re­trô. “Teremos na sede, por exemplo, nas segundas-feiras, os admiradores da Harley­-Davidson; nas terças, os de carros antigos; nas quartas, o Clube do Fusca... cada dia da semana para um tipo de colecionador”, planeja Jeferson. Uma vez por mês, haverá um desfile dos carros que foram restaura­dos naquele mês.

Uma loja, onde os visitantes poderão comprar e vender peças, além de avaliarem peças antigas, também integrará o espaço cultural. “As pessoas poderão levar objetos de família para saberem valor”, diz Jeferson.

PAPEL INCLUSIVO

Com função social, o Mova realizará capacitações de jovens aprendizes nas ati­vidades de lanternagem, pintura e mecâni­ca de carros. “Temos poucos especialistas nessas áreas. Eu já tenho um lanterneiro, um mecânico e um pintor que estão co­migo há anos, e eles serão os professores dessa escola profissionalizante. Serão dez aprendizes de cada turma, por seis meses. As empresas parceiras, por meio do Fundo de Infância e Adolescência (FIA), também poderão apadrinhar esses meninos para ajudarem na despesa deles com locomoção e na remuneração dos salários.”

Quando indagado sobre a maior difi­culdade na concretização do sonho de abrir um museu de automóveis e objetos anti­gos, o mineiro aponta não ter imaginado que a fase atual, a de captação de recursos via Lei Rouanet, seria tão difícil. Nada que o desanime ou o impeça de realizar esse grande projeto. “Toda época tem sua parte difícil, mas, quando a gente vence os obs­táculos, acha que ficou fácil. E dos sonhos a gente não pode desistir. Se você deixar o sonho passar, vai ficar frustrado. Ele tem de ser alimentado com um tijolinho a cada dia”, conclui.

Em relação ao acervo, ele diz estar sa­tisfeito com as peças que possui, as quais estarão no museu sob a forma de como­dato (empréstimo gratuito). Contudo, faz uma crítica: “Atualmente, acho mais fácil restaurar um Ford 29 do que um Landau, um carro nacional. O brasileiro não tem o hábito de guardar as coisas, joga tudo fora. O colecionador de outros países tem o ca­pricho de preservar o que foi significativo na época e na idade dele”.

 

CONHECIMENTO QUE CIRCULA

São dois projetos que homenageiam os carros antigos: o Mova, que será construído no Alphaville, no município de Nova Lima (em um terreno doado pela prefeitura da cidade), e o Museu Itinerante. A verba des­te último projeto foi captada por meio de incentivo fiscal.

O local do Museu Itinerante ainda está sendo definido: talvez uma praça ou um espaço com cerca de 5.000 mil metros quadrados, e lá estarão veículos e peças antigas. “Nós estamos entrando em conta­to com o Mercado de Santa Teresa, em Belo Horizonte, para discutir a possibilidade de o museu ser abrigado lá, juntamente com a associação dos moradores do bairro”, ex­plica Jeferson.


Para a manutenção, a verba será adqui­rida por meio de shows e eventos realiza­dos nos fins de semana. A cada seis meses, o museu mudará de lugar, de acordo com a disponibilidade da prefeitura e dos espa­ços, e terá entrada gratuita.

Conheça mais o projeto pelo site http://www.movacultural.com.br/

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