Calor extremo
Ondas de forte calor tendem a ser mais frequentes no país nos próximos anos
Brasil pode ter 127 dias de temperaturas altas por ano até 2075. Na prática, seriam mais de quatro meses do ano sob condições adversas.
Até 2075, o Brasil poderá saltar de uma média de seis dias de calor extremo por ano para até 127 dias, segundo projeções da plataforma de gestão de risco climático i4sea. O levantamento indica um aumento de 1,7¡C na temperatura máxima média do país, podendo atingir 7¡C em algumas regiões.
Para chegar a essas projeções, a i4sea utilizou mais de 26 modelos climáticos globais e aplicou uma técnica de detalhamento dos dados para o território brasileiro. A distribuição do calor, entretanto, não será a mesma em toda a federação. O Norte aparece como a área com maior exposição no levantamento. Até 2075, a região poderá registrar um aumento médio de 2,8¡C na temperatura máxima e chegar a 193 dias de calor extremo por ano. Entre os estados, Rondônia aparece com a maior estimativa de elevação, de 3,95¡C. Acre e Roraima vêm na sequência, com aumentos de 3,36¡C e 3,16¡C, respectivamente.
A diferença entre os dados atuais e a projeção ajuda a dimensionar a mudança que o país deve enfrentar nos próximos anos. Considerando os seis dias anuais de calor extremo e os possíveis 127 em 2075, o Brasil poderá ter mais de quatro meses do ano sob essas condições - o que não significa que elas ocorrerão de forma consecutiva.
Uma certeza já conhecida é que a frequência maior de dias de calor extremo gera efeitos colaterais. Crianças, idosos e pessoas com determinadas condições de saúde podem precisar de mais atenção durante os episódios de calorão.
O aumento da temperatura também interfere na disponibilidade de água e na agricultura, bem como na geração e no consumo de energia. Em áreas onde o calor aparece acompanhado por períodos de baixa umidade e redução das chuvas, serão necessárias adequações no planejamento para abastecimento, produção agrícola e prevenção de incêndios.
Causa e efeito
As projeções também ajudam a explicar por que o planejamento climático precisa considerar não apenas os recordes de temperatura, mas a quantidade de dias em que o calor permanece acima dos padrões. Mudanças na frequência alteram o acúmulo de exposição da população a extremos e podem aumentar a pressão sobre serviços públicos, infraestrutura urbana e atividades econômicas.
O cenário projetado para daqui a 49 anos ocorre em um contexto de aumento da temperatura global associado às emissões de gases de efeito estufa. A Organização Meteorológica Mundial afirma que eventos de calor extremo estão se tornando mais frequentes, intensos e duradouros em diferentes partes do mundo.
No Brasil, episódios de calor acima da média já ocorrem durante diferentes períodos do ano. Em agosto de 2026, por exemplo, um veranico atingiu áreas de 13 estados, com previsão de temperaturas entre 40¡C e 42¡C em partes de Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Pará, Maranhão e Piauí.
Se a projeção se confirmar, o país poderá sair de uma realidade em que esses eventos ocorrem durante poucos dias do ano para outra em que eles estarão presentes em uma parcela significativa do calendário. Diante dessa possibilidade, a adaptação às mudanças do clima entra para a lista de prioridades no planejamento de cidades, serviços públicos, produção e saúde até 2075.
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