Da boleia ao resgate de vidas
Lucas Costa, Geraldo Assis (Ravengar) e Edilberto Flor durante a gravação do Radar Podcast
Geraldo Ravengar conta sua trajetória no Radar Podcast: empresário, ex-motorista cegonheiro e presidente dos Anjos do Asfalto-MG, ele fala sobre trabalho, solidariedade, segurança nas rodovias e os desafios de quem vive o trânsito brasileiro
O trânsito brasileiro é feito de veículos, normas e estradas, mas, sobretudo, de pessoas. Pessoas que trabalham, enfrentam longas jornadas, carregam responsabilidades e, muitas vezes, transformam a própria experiência nas rodovias em projetos capazes de proteger outras vidas.
Foi com esse olhar que o Radar Podcast, apresentado por Lucas Costa, CEO da BR Multas, e Edilberto Flor, diretor jurídico e operacional da empresa, recebeu Geraldo Eugênio de Assis, conhecido como Ravengar, para uma conversa sobre trabalho, superação, segurança viária, solidariedade e os desafios enfrentados diariamente por quem circula pelas ruas e estradas do país.
Empresário ligado aos setores de transporte e comunicação, vice-presidente da Fenacat, ex-motorista cegonheiro e atual presidente dos Anjos do Asfalto-MG, Ravengar compartilhou uma trajetória construída com disposição para trabalhar, coragem para assumir responsabilidades e sensibilidade para ajudar quem mais precisa.
Uma trajetória que começou cedo
Antes de ocupar posições de liderança no transporte e no trabalho voluntário, Ravengar começou a trabalhar ainda na infância. Durante a entrevista, relembrou que vendia abacates nas ruas, lavava carros e alimentava um sonho que parecia distante para um menino de origem simples: viajar de avião.
O falecimento do pai representou uma mudança decisiva em sua vida. Diante das novas responsabilidades, ele seguiu o caminho das estradas e assumiu a profissão de motorista cegonheiro, atividade que exerceu por aproximadamente oito anos.
A boleia se tornou também uma escola. Foi nela que conheceu de perto a rotina dos caminhoneiros, as dificuldades da categoria, as condições das rodovias e os riscos enfrentados por quem passa grande parte da vida transportando veículos e mercadorias pelo Brasil.
A experiência o levou a participar do Sindicato dos Cegonheiros. Mais tarde, fundou um jornal voltado aos profissionais da estrada, projeto que cresceu e se transformou em revista, sempre com o objetivo de levar informação relevante e de qualidade aos caminhoneiros.
Ao longo dessa caminhada, Ravengar também teve a oportunidade de participar da criação de um modelo de negócio que posteriormente ganhou espaço no país como proteção veicular. Em diferentes momentos da entrevista, uma característica ficou evidente: sua disposição para trabalhar, aprender e abraçar as oportunidades que surgiram pelo caminho.
Anjos do Asfalto
Uma parte central do episódio foi dedicada ao trabalho dos Anjos do Asfalto-MG, organização da qual Ravengar participa há cerca de 16 anos. Mesmo à frente do grupo e de suas atividades empresariais, ele continua presente nos plantões e nas ações de auxílio realizadas nas rodovias.
A atuação ocorre especialmente no trecho da BR-381 entre Sabará e João Monlevade, em Minas Gerais. O trabalho é voluntário e procura oferecer apoio nos primeiros momentos após um acidente, período conhecido como “hora de ouro”, quando uma resposta rápida, segura e organizada pode contribuir para a preservação da vida e para a redução da gravidade das consequências.
Ravengar fez questão de explicar que os Anjos do Asfalto não substituem os órgãos oficiais de resgate. A missão do grupo é complementar: prestar o auxílio inicial possível, providenciar a sinalização do local, ajudar a evitar novas colisões, organizar o cenário e apoiar as vítimas até a chegada das equipes especializadas.
Os voluntários também participam de operações de apoio em grandes tragédias e situações emergenciais. Ao falar desse trabalho, Ravengar destacou os profissionais da saúde, os socorristas e todos aqueles que dedicam a vida ao atendimento de vítimas. Para ele, são esses profissionais os verdadeiros salvadores de vidas e merecem reconhecimento pelo preparo, pela coragem e pela dedicação com que exercem o ofício.
Segurança
As multas de trânsito e o direito de defesa também fizeram parte da conversa. Ao responder o que mudaria para melhorar a rotina no trânsito, Ravengar destacou principalmente a necessidade de reduzir a arrogância, deixar o ego de lado e agir com mais solidariedade, lembrando que disputas e comportamentos agressivos podem transformar situações comuns em acidentes graves.
Embora também defenda melhorias na legislação, na sinalização e na estrutura viária, sua principal mensagem é que motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres precisam compreender que compartilham o mesmo espaço.
A BR Multas atua na orientação e na defesa administrativa de condutores, realizando a análise técnica de autuações e de processos que podem afetar a habilitação.
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