Avanço feminino
Participação feminina no setor de frotas e logística cresce para 22% e revela mudança estrutural
A presença feminina no setor de frotas e logística no Brasil deixou de ser pontual para se tornar um indicador de transformação estrutural. Pesquisa recente conduzida pela Platform Science em parceria com a Gestran mostra que a participação das mulheres saltou de cerca de 15% para 22% em 2026 Ð um avanço significativo em um segmento historicamente com presença masculina.
O dado ganha relevância não apenas pelo crescimento numérico, mas pelo contexto em que ocorre. O levantamento anterior apontava uma presença de aproximadamente 15,8%, indicando que o setor passou por um período de estagnação antes de iniciar um movimento mais consistente de ampliação da diversidade.
Para especialistas envolvidos no estudo, o avanço não pode ser interpretado apenas como resultado de políticas de inclusão. Ele está diretamente ligado à transformação do próprio perfil da logística no país. “O aumento da participação feminina vai além de um avanço social. Ele traduz uma mudança concreta no perfil da gestão, hoje mais orientada a processos e dados”, afirmou o CEO da Gestran, Paulo Raymundi, ao comentar os resultados da pesquisa.
A principal leitura do estudo é que o crescimento da presença feminina acompanha a mudança no núcleo da operação logística. Se antes o setor era fortemente associado à execução operacional e ao esforço físico, hoje ele é cada vez mais baseado em tecnologia, planejamento e análise.
Sistemas de gestão de frotas, telemetria e monitoramento em tempo real passaram a ser centrais na operação. Nesse ambiente, habilidades relacionadas à organização, controle e tomada de decisão ganharam protagonismo Ð áreas em que, segundo o próprio estudo, a presença feminina cresce de forma mais consistente.
“O diferencial competitivo deixou de estar na execução operacional para se concentrar na capacidade de gestão”, destacou Raymundi. Na prática, isso significa que o avanço das mulheres não é apenas uma substituição de mão de obra, mas uma reconfiguração da lógica do setor.
Outro ponto relevante apontado pelo levantamento é a relação entre diversidade e eficiência operacional. A presença feminina passa a ser associada a melhorias em organização, redução de erros e maior controle de processos Ð fatores diretamente ligados à produtividade.
Esse entendimento aproxima o Brasil de mercados mais maduros, onde a participação feminina no transporte já varia entre 20% e 25%, segundo dados citados no próprio estudo.
Apesar do salto para 22%, o estudo indica que a distribuição das mulheres dentro do setor ainda é desigual. A maior presença está concentrada em funções de gestão e apoio, enquanto áreas operacionais seguem com predominância masculina.Além disso, o crescimento ocorre de forma mais estruturada após um período de estagnação, o que reforça a ideia de que não se trata de um movimento pontual, mas de uma mudança mais profunda no comportamento do setor.
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