Barragens sob alerta

24 de Agosto de 2026 / 0 Comentários

Relatório mostra que o Brasil tem quase 30 mil barragens

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Relatório anual da Agência Nacional de Águas mostra 213 barragens em situação crítica no país, enquanto a tragédia de Brumadinho segue como referência dolorosa sobre os impactos

 

O Brasil tem 213 barragens em situação crítica, segundo o Relatório de Segurança de Barragens 2026, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), enviado ao Congresso Nacional. O levantamento informa que essas estruturas estão entre as mais preocupantes do sistema nacional por combinarem alto potencial de dano humano com risco elevado ou sinais de comprometimento estrutural.

De acordo com a Agência Brasil, o universo monitorado pela política nacional ultrapassa 14 mil barragens enquadradas na legislação, mas o cadastro total do país chega a quase 30 mil estruturas. O relatório aponta ainda 18 acidentes e 23 incidentes em 2025, além de alertar para o quadro de fiscalização: são 333 especialistas atuando na área, com déficit de 221 fiscais exclusivos.

A maioria das barragens prioritárias está ligada à mineração, que lidera a lista com 55 estruturas, seguida pelo abastecimento público de água, com 51. As áreas críticas se espalham por 19 estados e pelo Distrito Federal, com destaque para Ceará, Mato Grosso e São Paulo, o que reforça o caráter nacional do problema e a necessidade de monitoramento permanente.

O relatório também mostra que, entre as barragens já classificadas, pouco mais de 8.000 estão em condições adequadas, enquanto 6.600 apresentam dano potencial associado médio ou alto. Para especialistas, isso significa que a segurança de barragens não depende apenas da prevenção de rompimentos, mas da capacidade de manter inspeções, planos de emergência e informações atualizadas em tempo real.

A lembrança de Brumadinho ajuda a dimensionar a gravidade desses números. No portal oficial da Prefeitura de Brumadinho, o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em 25 de janeiro de 2019, é descrito como uma tragédia que matou 272 pessoas e deixou outras 11 desaparecidas. A administração municipal classifica o episódio como um crime sem precedentes na história do país contra trabalhadores, moradores e o meio ambiente.

Na tragédia de Brumadinho, também é importante recordar a atuação do grupo voluntário Anjos do Asfalto, que auxiliou no atendimento imediato de socorro às vítimas. Os socorristas se juntaram ao esforço de atendimento em Brumadinho, onde a resposta exigiu deslocamento rápido, triagem e apoio em um cenário de grande extensão e alto risco.

A combinação entre o novo alerta da ANA e a memória de Brumadinho reforça a dimensão humana da segurança de barragens. Os dados oficiais mostram que o país ainda convive com um passivo relevante de estruturas críticas, enquanto experiências como a dos Anjos do Asfalto lembram que, quando a prevenção falha, a resposta precisa ser rápida, organizada e coordenada para salvar vidas.

 

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