GIGANTES DOS ARES
Aeroclube de Pará de Minas celebra sua história entre as maiores e melhores escolas de pilotagem do Brasil, projetando a cidade para a aviação nacional
Aeroclube de Pará de Minas celebra sua história entre as maiores e melhores escolas de pilotagem do Brasil, projetando a cidade para a aviação nacional
“O Aeroclube de Pará de Minas sempre foi uma segunda casa para mim”, disse Juliana Lourenço, piloto comercial de avião há sete anos e instrutora de voo habilitada. “Aprendi a voar no Aeroclube de Pará de Minas. Meu primeiro voo ocorreu no dia 15 de janeiro de 1990 e foi uma experiência bastante marcante na minha vida!”, contou Thales Menezes Leite, piloto de linha aérea - Atlas Air (B767, base Cincinatti, Ohio, Estados Unidos) - com 28 anos de profissão.
Histórias de diferentes contextos, mas que em comum encontram a paixão pela aviação e o reconhecimento da formação profissional de excelência. O Aeroclube de Pará de Minas completa 80 anos, e a celebração dessa data representa muito mais do que a longevidade de uma instituição: simboliza oito décadas de dedicação à formação aeronáutica, à promoção da cultura da aviação e ao desenvolvimento da região.
“O Aeroclube de Pará de Minas formou milhares de pilotos privados e comerciais, muitos dos quais construíram carreiras de destaque em companhias aéreas nacionais e internacionais, na aviação executiva, na aviação agrícola e em outros segmentos do setor aeronáutico. Essa expressiva contribuição para a formação de profissionais consolidou a instituição como um dos mais tradicionais e importantes centros de formação aeronáutica do Brasil”, contou Ivan Resende Leitão, presidente da escola de aviação.
Segundo ele, mais que pelos números, esse legado é representado pelas histórias de sucesso de seus ex-alunos, que levaram o nome do Aeroclube de Pará de Minas para diferentes regiões do país e do mundo, reafirmando o compromisso da instituição com a excelência no ensino e com o desenvolvimento da aviação brasileira.
O piloto Thales Menezes Leite é um deles. “Toda longa jornada começa com o primeiro passo. Atualmente, eu voo o B767, jato birreator com 200 toneladas de peso máximo de decolagem, pela Atlas Air, empresa norte-americana que voa para 186 países. Tenho 16.422 horas de voo totais e mais de mil travessias dos oceanos Atlântico e PacíficoÉ mas tudo começou com meu primeiro voo de instrução no Aeroclube de Pará de Minas”, conta, saudoso.
E ele completa: “Considero que esse primeiro passo é o mais importante e precisa ser bem dado. Minha experiência vivida no aeroclube foi tão marcante que, toda vez que tenho a oportunidade de retornar ao Brasil, faço questão de voltar à escola de aviação para rever os grandes amigos aviadores que conheço há décadas e também pela oportunidade de fazer um voo sobre a minha querida cidade natal”.
O presidente Ivan Resende destaca que o grande diferencial do Aeroclube de Pará de Minas está na combinação entre tradição, infraestrutura, frota atualizada com aeronaves glass cockpit e qualidade da formação. Ele explica que glass cockpit é o componente de uma cabine de pilotagem que possui os instrumentos de voo com display eletrônicos, muitas vezes utilizando telas de LCD, diferente do estilo tradicional com mostradores e indicadores analógicos. É o compartimento localizado na parte dianteira da aeronave, onde os pilotos realizam a operação e o controle do voo. Ele é projetado com foco na ergonomia e na redundância, garantindo que o comandante e o copiloto acessem todos os sistemas vitais.
“Com 80 anos de história, a instituição construiu uma sólida reputação baseada na excelência do ensino, na segurança operacional e na formação de milhares de pilotos que hoje atuam em diversos setores da aviação. Essa trajetória transmite credibilidade e confiança aos alunos que escolhem iniciar ou dar continuidade à sua carreira na aviação”, salienta o presidente.
Juliana Lourenço, piloto comercial de avião há sete anos e instrutora de voo habilitada, conta sobre a admiração que tem pelo lugar: “Passei muitos anos sem frequentá-lo, mas nunca deixei de acompanhar sua trajetória e sempre soube que, quando chegasse a hora de realizar meu sonho, seria ali que eu gostaria de me formar. Além da ligação afetiva, sempre admirei a estrutura, o cuidado com a manutenção das aeronaves, o profissionalismo da equipe e, principalmente, a seriedade com que forma seus pilotos”.
Ela complementa: “seu respeito e sua credibilidade conquistados ao longo dos anos no meio aeronáutico sempre me transmitiram muita confiança. Tinha a tranquilidade de saber que receberia uma formação segura e de excelência, que me prepararia para o mercado, em uma instituição que é referência no país”.
Para o experiente piloto Thales Menezes, o aeroclube foi fundamental desde a sua primeira hora de instrução de voo como aluno-piloto, a disciplina de estudos e a padronização dos procedimentos operacionais: “Esses valores permaneceram incorporados ao longo de toda a minha carreira e estão diretamente relacionados à segurança de voo. Desde o início do meu treinamento houve muita ênfase nas rotinas operacionais, nos briefings das manobras, na leitura de checklists apropriados, na consciência situacional e no treinamento de manobras de emergência. Posso dizer que um aluno do Aeroclube de Pará de Minas aprende todas as ferramentas que têm impacto direto na execução de um voo com total segurança”.
O vice-presidente do aeroclube, Wagner Alves da Silva, pontua ainda a excelência da estrutura física para o ensino aeronáutico. “O aeroporto dispõe de pista asfaltada com 1.200 metros de comprimento, está localizado dentro do Terminal de Controle de Tráfego Aéreo de Belo Horizonte e conta com frequência própria (FCA 135.825), proporcionando um ambiente operacional rico e compatível com diferentes cenários encontrados na aviação profissional e meteorologia favorável praticamente o ano todo para a prática do voo”, salienta.
Robustez e segurança
Atualmente, o aeroclube opera uma frota de 30 aeronaves dedicadas à formação de pilotos, oferecendo aos alunos contato com diferentes modelos utilizados na instrução, entre eles o Cessna 152, o Cessna 172S e o Piper Seneca, todos equipados com modernos painéis glass cockpit, proporcionando uma formação alinhada às tecnologias empregadas na aviação contemporânea.
“A disponibilidade dessa frota permite uma rotina intensa de treinamentos, com voos diários, acompanhamento individualizado dos alunos e avaliações contínuas de desempenho, assegurando que cada etapa da formação seja realizada com elevado padrão de qualidade. Paralelamente, todas as aeronaves são submetidas a um rigoroso programa de manutenção preventiva e corretiva, seguindo os requisitos estabelecidos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelos fabricantes”, relata Caio Monteiro Duarte, diretor de instrução.
Inspeções periódicas, controle técnico especializado e criteriosos padrões de segurança garantem a confiabilidade da operação e proporcionam aos alunos um ambiente de instrução seguro, eficiente e compatível com as melhores práticas da aviação, segundo o diretor.
Ele diz ainda que a escola dispõe de uma estrutura moderna e completa, planejada para oferecer uma formação de excelência aos seus alunos. São salas de aula equipadas, alojamento gratuito para estudantes, hangares, áreas destinadas à manutenção das aeronaves e uma infraestrutura que atende às exigências da formação aeronáutica.
A rotina de ensino, segundo explica Caio Monteiro, combina aulas teóricas, treinamento em simuladores e voos de instrução, proporcionando uma preparação abrangente e alinhada aos mais elevados padrões do setor. “Toda a formação prática é conduzida por instrutores experientes e devidamente credenciados pela Anac, garantindo qualidade, segurança e conformidade com a regulamentação vigente”, frisa Monteiro.
A metodologia de ensino diferenciada e o suporte tecnológico permitem ao aeroclube oferecer uma formação completa para quem deseja construir carreira na aviação.
Entre os cursos disponíveis estão o de Piloto Privado de Avião (PP-A), que representa a porta de entrada para a formação aeronáutica; o de Piloto Comercial de Avião (PC-A), voltado à profissionalização do piloto; o curso de Voo por Instrumentos (IFR-A), essencial para operações em condições meteorológicas adversas; a habilitação para aeronaves multimotoras, que amplia as possibilidades de atuação profissional; e o curso de Instrutor de Voo de Avião (INV-A), destinado à formação de pilotos que desejam atuar no ensino da aviação.
A piloto Juliana Lourenço avalia que o cronograma de ensino é bem completo e estruturado, contando com excelentes profissionais, e isso facilita muito a formação. “Uma etapa completa a outra e torna o voo mais seguro. No início, o conteúdo teórico pode parecer complexo, mas, quando iniciamos o voo prático e o simulador, a teoria começa a fazer sentido. E, na prática, vemos que o estudo teórico precisa ser constante. O simulador é fundamental, pois a carga de trabalho exigida é alta, e ele nos permite treinar todos os procedimentos em uma simulação real, em que é possível aprender, errar e corrigir sem riscos. Isso faz com que cheguemos mais preparados e de forma mais segura para o voo prático”, detalha Juliana.
Essa dinâmica proporciona uma trajetória completa de formação, permitindo que o aluno desenvolva todas as competências necessárias para ingressar e evoluir na carreira aeronáutica com excelência e segurança. Atualmente, o Aeroclube de Pará de Minas recebe um público bastante diversificado, refletindo o crescimento da aviação no Brasil.
A maior parte é composta por jovens, em sua maioria entre 18 e 30 anos, que enxergam na aviação uma carreira promissora e buscam formação para ingressar na aviação comercial. Ao mesmo tempo, a instituição também recebe pessoas movidas pela paixão de voar, que procuram a habilitação de piloto privado para realizar um sonho pessoal ou praticar a aviação como atividade recreativa.
Pioneirismo
A criação do Aeroclube de Pará de Minas nasceu da visão e do entusiasmo de um grupo de cidadãos que acreditava no potencial transformador da aviação. O diretor vice-tesoureiro, José Eugênio Lopes de Oliveira, relembra o cenário de criação do aeroclube. Ele rememora que, em 1945, pessoas da cidade perceberam que a aviação representava progresso, inovação e integração entre as regiões e oportunidade de colocar Pará de Minas em sintonia com esse movimento de desenvolvimento. Movidos por esse ideal, uniram esforços para fundar, em 1945, uma instituição voltada à formação de pilotos, à difusão da cultura aeronáutica e ao fortalecimento da aviação na região.
“Os primeiros anos de funcionamento do aeroclube foram marcados por importantes desafios, superados graças ao comprometimento de seus fundadores e ao apoio da comunidade. A principal dificuldade era a limitação de recursos financeiros, que restringia a aquisição de aeronaves, equipamentos e da infraestrutura necessária para o desenvolvimento das atividades”, contou José Eugênio.
Como reflexo desse cenário, segundo ele, a primeira aeronave da instituição foi incorporada à frota apenas em 1956, mais de uma década após sua fundação. Paralelamente, a formação de pilotos exigiu um grande esforço, diante da escassez de instrutores qualificados e da necessidade de consolidar a cultura da aviação em uma cidade que ainda dava seus primeiros passos nesse segmento. Somava-se a isso o processo de reconhecimento e consolidação junto aos órgãos reguladores, fundamental para assegurar que a escola atendesse aos mais elevados padrões técnicos e operacionais. “A superação desses desafios foi decisiva para estabelecer as bases sólidas do aeroclube”, analisa José Eugênio.
Nesse contexto, a trajetória do Aeroclube de Pará de Minas é marcada por acontecimentos que refletem sua importância para a aviação e para a comunidade. Entre eles, destaca-se a formação do primeiro piloto comercial da instituição, em 1960, um marco que projetou a escola nacionalmente e evidenciou a qualidade do ensino oferecido. Em 1966, a primeira turma de pilotos brevetados consolidou definitivamente a escola como um centro de formação aeronáutica. Também promoveu importantes eventos e festivais aéreos, incluindo apresentações da Esquadrilha da Fumaça, que aproximaram a população do universo da aviação e despertaram o interesse de novas gerações.
Esse percurso transformou a instituição em um importante patrimônio histórico, educacional e cultural de Pará de Minas, exercendo papel relevante tanto para a economia quanto para a projeção da imagem do município. Ao atrair alunos de diversas regiões do Brasil e do exterior, a instituição impulsiona setores como hospedagem, alimentação, transporte e comércio, gerando movimentação econômica e contribuindo para o desenvolvimento local por meio de mais de 100 empregos diretos e indiretos.
O diretor financeiro do aeroclube, Marcos Antônio Duarte, enfatiza que a história da escola de aviação se confunde com a própria trajetória de desenvolvimento da cidade, simbolizando a capacidade de inovar, investir em educação e preparar gerações de pilotos que contribuíram para o fortalecimento da aviação brasileira.
“Mais do que uma escola, a instituição tornou-se um elo entre o passado, o presente e o futuro de Pará de Minas, preservando sua história enquanto acompanha a evolução tecnológica e as transformações do setor aeronáutico. Sua presença reforça valores como excelência, perseverança e compromisso com o desenvolvimento, consolidando o Aeroclube como um patrimônio da cidade e um dos principais símbolos da vocação de Pará de Minas para a inovação e o progresso”, disse Marcos.
O futuro, o legado!
A premissa de acompanhar a constante transformação da aviação continua. Entre as principais prioridades estão a ampliação e a modernização da frota de aeronaves, permitindo atender ao crescimento da demanda e oferecer aos alunos contato com tecnologias cada vez mais atuais. Também fazem parte desse processo os investimentos em simuladores de voo de última geração e em recursos tecnológicos que tornem o treinamento ainda mais eficiente e alinhado às práticas adotadas pela aviação moderna. A instituição mantém um compromisso permanente com a atualização de sua infraestrutura, garantindo o atendimento às exigências da Anac e aos padrões internacionais de segurança e qualidade.
Atualmente, o Brasil conta com mais de 300 aeroclubes e escolas de aviação homologados pela Anac, e o de Pará de Minas se posiciona como um dos mais importantes e estratégicos graças à excelência de sua formação, estrutura física e tecnológica e impacto positivo no setor de aviação. “Por isso, para os próximos 10 anos, vamos fortalecer ainda mais nossa posição como um dos principais centros de formação aeronáutica do Brasil, ampliando a capacidade de atendimento. O compromisso para o futuro é seguir aprimorando os processos de formação, capacitando pilotos cada vez mais preparados para os desafios da aviação moderna e preservando os valores que construíram sua história: excelência, responsabilidade, inovação e dedicação à formação aeronáutica”, compromete-se a Diretoria do aeroclube.
Junto ao planejamento do aeroclube, estão os sonhos de seus pilotos. “Meu foco agora é atuar como instrutora, adquirindo experiência, contribuindo com a formação de novos pilotos e continuar investindo no meu desenvolvimento profissional. Mas a aviação tem algo fascinante, por mais que façamos planos, ela tem mostra caminhos melhores do que aqueles que você havia planejado. Por isso, sigo aberta ao aprendizado e aos desafios e oportunidades que surgirem. Acho que o maior desafio foi entender que a aviação exige paciência. É uma formação que demanda um investimento alto e nem sempre as coisas acontecem no tempo que gostaríamos. E para mim desistir nunca foi opção, então aprendi a respeitar o processo, tentar controlar a ansiedade e confiar que cada etapa tem sua importância e faz parte da formação de um piloto. Cada um tem seu tempo e sua evolução”, analisa Juliana Lourenço.
O piloto Thales realiza treinamentos e avaliações no simulador a cada seis meses para manter a proficiência de voo, bem como para treinar os procedimentos de emergência. “A aviação é um processo de aprendizado contínuo e é preciso seguir em frente. Pilotos e alunos de aviação não desistam nunca de seus sonhos e tenham sempre em mente que a conquista dos ares é um privilégio somente daqueles que ousaram ter o domínio das leis da Física em busca da liberdade completa de movimentos, afirma.
Ele cita John Hermes Secondari, que foi roteirista de televisão americana, e em um de seus episódios em “A Saga do Homem Ocidental - Eu, Leonardo da Vinci” incentivava as pessoas a construírem suas máquinas voadoras, afirmando que após qualquer acidente “os danos serão leves”: “Uma vez que você tenha experimentado voar, você caminhará pela Terra com seus olhos sempre voltados para o céu, pois lá você esteve e para lá você sempre desejará retornar”.
O Aeroclube de Pará de Minas está de portas abertas para quem quer transformar o sonho de voar em profissão.
AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião de Revista Entrevias. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. Revista Entrevias poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

.jpg)




.jpg)

_copy.jpg)





