Frete mínimo mais alto
ANTT disponibiliza calculadora oficial para consulta dos valores
Tabela atualizada pela ANTT eleva os valores de referência do transporte rodoviário de cargas. Lei sancionada consolida atualização semestral, gatilho para o diesel e controle digital contra contratações abaixo do piso.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou os coeficientes dos pisos mínimos do frete rodoviário, que estão em vigor desde 17 de julho. A Resolução nº 6.084/2026 alterou a tabela usada no cálculo da remuneração mínima do transporte de cargas por quilômetro rodado e por eixo carregado, dentro da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.
Os novos valores alcançam operações de carga lotação e variam conforme o tipo de mercadoria, a configuração do veículo, o número de eixos e o modelo de contratação. Para carga geral, por exemplo, o coeficiente de deslocamento passou a variar de R$ 3,9826 por km em veículos de dois eixos a R$ 9,2027 em composições de nove eixos. Na carga frigorificada ou aquecida, a faixa vai de R$ 4,7095 a R$ 10,8870 por km.
A tabela considera também uma parcela fixa de carga e descarga. Para carga geral, ela varia entre R$ 451,84 e R$ 903,32; para cargas frigorificadas ou aquecidas, entre R$ 520,07 e R$ 1.067,06, conforme o veículo. Há coeficientes específicos para granel sólido e líquido, contêineres, cargas perigosas, neogranel e granel pressurizado.
O piso não representa o preço final obrigatório do frete, mas o patamar abaixo do qual a contratação não pode ocorrer nas operações abrangidas pela política. A fórmula oficial é a soma do produto entre distância e coeficiente de deslocamento, acrescida do custo de carga e descarga. Pedágios devem ser adicionados ao resultado, enquanto lucro, tributos e despesas que não integram a metodologia permanecem sujeitos à negociação entre as partes.
A ANTT disponibiliza calculadora oficial para consulta dos valores, a partir do tipo de carga, distância, número de eixos e modalidade operacional.
No início de agosto, a ANTT iniciou uma pesquisa para reunir informações sobre a realidade dos valores. A Pesquisa de Custos do Transporte Rodoviário de Cargas pretende coletar dados para subsidiar o aperfeiçoamento da metodologia de cálculo da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Carga. Participam da pesquisa transportadores autônomos de cargas, TAC agregado, empresas de TRC e cooperativas de TRC.
MP vira lei
A atualização dos valores ocorre em meio à consolidação das mudanças introduzidas pela MP nº 1.343/2026. Sancionada em 5 de agosto e convertida na Lei nº 15.485, a norma estabelece que os pisos devem refletir os custos operacionais totais do transporte, incluindo combustível, pneus, lubrificantes, manutenção, salários, seguros e tempo de carga e descarga. Na próxima edição da Entrevias, vamos trazer todas as repercussões sobre a nova lei.
A lei determina revisões ordinárias até 20 de janeiro e 20 de julho de cada ano, acompanhadas de planilha, memória de cálculo, coeficientes, parâmetros e fontes de dados. Em caso de alta ou queda igual ou superior a 5% nos preços dos combustíveis considerados na metodologia, a ANTT terá até três dias úteis após a divulgação oficial para publicar o reajuste correspondente.
Outra mudança é o fortalecimento da fiscalização eletrônica. Desde 24 de maio, o Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot) tornou-se obrigatório para todas as operações de transporte rodoviário remunerado de cargas. Nas operações de carga lotação, o sistema bloqueia a emissão do código quando o valor declarado estiver abaixo do piso aplicável.
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