Vacina contra a malária
Estudo identificou antígenos capazes de ativar resposta imune mais eficazes
Pesquisadores abrem caminho para uma vacina mais ampla contra a malária e reforçam a aposta em uma tecnologia desenvolvida integralmente no Brasil
Uma equipe ligada ao CTVacinas, centro sediado no BH-TEC e vinculado à UFMG, avançou em uma linha de pesquisa que pode resultar em uma vacina mais abrangente contra a malária. O estudo, divulgado em julho, identificou antígenos do Plasmodium vivax capazes de ativar respostas imunes mais eficazes e sustentar a ideia de um imunizante com proteção mais ampla do que as tecnologias atuais.
A descoberta foi apresentada como resultado de um trabalho conduzido ao longo de cerca de 15 anos por pesquisadoras do CTVacinas em parceria com a Fiocruz Minas e a UFMG. O grupo mapeou 166 proteínas do parasita com potencial vacinal, das quais dez já foram testadas com sucesso, o que abriu uma nova rota para o desenvolvimento de uma vacina universal contra diferentes formas da doença.
A malária é uma doença infecciosa aguda e grave causada por protozoários do gênero Plasmodium e transmitida pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles (mosquito-prego). Ela não é contagiosa entre pessoas, mas pode levar a complicações sérias ou morte se não tratada a tempo.
O foco da pesquisa é o P. vivax, espécie que responde por grande parte dos casos de malária no Brasil e em outras regiões das Américas e da Ásia. A opção pelo alvo não é casual: a espécie é considerada um dos principais obstáculos para uma vacina de maior alcance, porque o parasita muda de forma ao longo do ciclo de infecção e exige respostas imunológicas mais sofisticadas.
Em vez de apostar apenas em anticorpos, como a maior parte das tentativas anteriores, o grupo mineiro buscou acionar linfócitos T CD8+, células de defesa capazes de reconhecer e destruir células infectadas. A inovação, segundo informações da Fiocruz, surgiu ao demonstrar que células jovens infectadas pelo parasita conseguem emitir sinais detectáveis pelo sistema imune, o que permitiu identificar novos alvos para o imunizante.
O CTVacinas também já havia apresentado, em 2024, a Vivaxin, vacina em fase final de testes pré-clínicos contra a malária vivax. Na ocasião, o centro informou que o produto ainda não estava disponível em nenhum país e que a formulação demonstrava resultados promissores em segurança, eficácia e indução de resposta imune, com expectativa de avanço para estudos clínicos em humanos.
Outro elemento importante é a infraestrutura de inovação em Belo Horizonte. A parceria entre UFMG, Fiocruz Minas e BH-TEC reforça um ecossistema voltado à produção de imunizantes e à soberania tecnológica. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de produtos estratégicos para o SUS e reduzir a dependência de tecnologias importadas.
Ainda não há vacina contra a malária disponível no Brasil, e o próprio Ministério da Saúde informa que os imunizantes hoje existentes no mundo têm uso restrito e cobertura limitada. Por isso, os resultados divulgados recentemente ganham relevância científica e sanitária, embora os pesquisadores ainda precisem concluir etapas pré-clínicas, reunir financiamento e obter autorização regulatória para iniciar testes em humanos.
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